"É o prémio mais importante da minha carreira"

O fadista de 74 anos confessa que ficou "muito emocionado" ao receber a notícia que vai ser distinguido pela Latin Recording Academy com um Grammy de carreira. Alguns fãs acorreram à Cordoaria Nacional para lhe dar os parabéns. Um fez a viagem desde a Nazaré.

Carlos do Carmo contou que foi informado "há um par de dias" do prémio que receberá em Las Vegas a 19 de novembro. "O presidente da Academia pediu-me para não divulgar, para serem eles a fazê-lo." O fadista desconhecia quando é que a notícia seria tornada pública, pelo que quando esta manhã o telefone começou a tocar quase sem parar ficou "em pânico". Ao atender uma das chamadas ficou a perceber o que se passava.

"É o primeiro mais importante da minha carreira. É o momento mais alto de todos os que tive. Não esperava... É um prémio mundial, os outros foram nacionais, mas não os subestimo", disse ao DN. Salientou que não é um prémio importante só para o fado ou para a cultura portuguesa: "É também para o país."

Referiu ainda que "este é um prémio coletivo", ou seja, de todos os guitarristas com quem atuou, de todos os fadistas, de todos os poetas que escreveram poemas que Carlos do Carmo depois cantou. No entanto, deseja que o Grammy latino possa também ajudar na projeção dos jovens fadistas. "As palavras que eu disser em Las Vegas, vão ser ouvidas em todo o mundo."

Carlos do Carmo não esperava que dois dias depois de ter visitado a Cordoaria Nacional para ver a exposição dedicada aos seus 50 anos de carreira, regressar agora para falar aos jornalistas sobre a distinção. Na exposição é possível ver os vários prémios que o fadista recebeu e, quem sabe, poderá ainda contar com o Grammy, já que só encerrará no final do ano.

Da Nazaré à Cordoaria

O Grammy que distingue a carreira de Carlos do Carmo foi uma surpresa para o próprio intérprete e para os amantes do fado, em especial os seus fãs. Este feito traz agora mais razões para visitar a exposição da Galeria do Torreão Nascente, na Cordoaria Nacional, que celebra os 50 anos de carreira do cantor.

Que o diga Edgar Henriques, de 60 anos e militar de Abril, que revela estar "satisfeitíssimo como português e amante do fado". Após ter visitado a exposição, não tem dúvidas de que faz jus à imagem do cantor, considerando-o "o melhor intérprete deste país e o que melhor o retrata desde o século XIX até ao século XXI, cantando poetas e autores e interpretando-os como ninguém".

No entanto, Edgar Henriques mostra-se descontente porque "o Estado português não o aproveita para símbolo, sendo um selo de qualidade que ajuda a divulgar o nosso país". Orgulhoso do Grammy atribuído ao seu ídolo, o militar de Abril julga "enaltecer o país".

Angelina Aires, de 54 anos, visita a galeria pela segunda vez, ao fim de dois dias, por saber deste acontecimento e pela oportunidade de falar pessoalmente com Carlos do Carmo. "Dei os parabéns há pouco e ele agradeceu", diz orgulhosamente.

O prémio tem um significado especial pelo facto de ser "uma honra para o país e para a nossa cultura", pois o fado é característica do nosso país e "transmite portugalidade, melancolia, saudade. O povo português.", expressa Angelina Aires.

Caso o Grammy seja exposto na galeria, passando a fazer parte do espólio do intérprete, Maria de Lurdes Rodrigues, de 81 anos - que acompanhava Angelina Aires -, voltará à exposição, "Sim, nessa altura, se estiver aqui o Grammy, voltaremos para visitar."

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