Concerto de Júlio Iglésias pode acabar com queixa-crime

O ex-presidente da Empresa Municipal de Educação e Cultura (EMEC) de Barcelos, Domingos Araújo, instou hoje a Câmara a avançar com uma queixa-crime, por burla, contra um dos promotores do espetáculo de Júlio Iglésias no concelho.

Em comunicado, Domingos Araújo, atual líder da Concelhia do PSD, assegura que o Município não tem qualquer dívida relacionada com esse concerto.

Em causa está o concerto que Júlio Iglésias deu em Barcelos em 2004, aquando da inauguração do novo estádio da cidade, numa altura em que a Câmara era liderada pelo PSD.

Há dias, a Câmara, agora nas mãos do PS, tomou conhecimento de que impende sobre a EMEC uma execução judicial, movida pela Golden Concerts Limited, com sede em Gibraltar, para a cobrança de um crédito no valor de 224.950 euros relativo a esse concerto.

"Estranhámos os contornos contabilísticos de todo o processo, mas vamos apurar com todo o rigor o que aconteceu e, se for o caso, remeter o processo para as autoridades de investigação", referiu o presidente da Câmara, Miguel Costa Gomes.

O anterior responsável da EMEC garante que está tudo pago, explicando que o concerto foi inicialmente contratualizado por 325 mil euros mas entretanto, devido à fraca adesão do público, foi renegociado, tendo sido fixado em 195 mil euros.

Segundo Domingos Araújo, a renegociação foi feita com o "produtor/representante" de Júlio Iglésias, José Esteves Basto, "proprietário da empresa Sociedade Portuguesa de Espetáculos (SPE) e representante da empresa Golden Concerts Limited".

A Golden Concerts reivindica agora os 130 mil euros de diferença mais os juros, num montante de 224.950 euros.

Domingos Araújo lembra que o contrato inicial foi "anulado" e acusa José Esteves Basto de "má-fé".

Assim, insta a Câmara a processá-lo por suspeita da prática de crime de burla, admitindo que, se o Município não o fizer, poderá avançar ele mesmo para tribunal, "em defesa do erário público e da verdade".

Contactado pela Lusa, José Esteves Basto manifestou "estranheza" por este comunicado de Domingos Araújo, reservando para mais tarde quaisquer outros eventuais comentários.

O atual Conselho de Administração da EMEC diz ter "pouquíssima informação" sobre o negócio, mas adianta que, para a realização daquele concerto, foram elaborados dois contratos, um dos quais com a SPE (198 mil euros) e outro com a Golden Concerts Limited, com sede em Gibraltar (195 mil).

Acrescenta que a EMEC "já procedeu à totalidade dos pagamentos, tendo-o feito, na sua globalidade, à SPE".

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