Carlos do Carmo homenageado na Câmara de Lisboa

Foram muitas as personalidades da cultura, política e até do desporto que marcaram presença na homenagem ao fadista que irá receber o Grammy latino de carreira.

A distinção levou o presidente da Câmara Municipal de Lisboa a receber Carlos do Carmo e a dedicar-lhe um discurso diferente. Juntando vários excertos ou títulos de fado, António Costa iniciou a cerimónia. Posteriormente salientou que Carlos do Carmo é único devido à "carreira, à forma como tem valorizado o fado, a voz única e como tem trabalhado tanto para projetar estas novas gerações de fadistas".

No sua intervenção, Carlos do Carmo voltou a salientar que não vê o Grammy como um prémio individual, mas sim coletivo, frisando as várias pessoas com quem trabalhou. Recordou que "trouxe Vasco Graça Moura e Júlio Pomar para o fado". Este último, considera que "é uma generosidade" do fadista considerar que o prémio é de todos. "Para o Carlos cada palavra existe, é uma espécie de doce que tem de ser saboreado em todos os seus pormenores. Ninguém saboreia melhor a palavra do que o Carlos", afirmou ao DN.

Mais tarde, o fadista confessou que o prémio é um momento de "muita felicidade e de muita responsabilidade". Disse que o que mais lhe tem agrado "é ouvir 'parabéns pelo nosso prémio'". "Esta tomada de consciência coletiva é uma coisa que me agrada profundamente", realçou.

Carlos do Carmo recebeu centenas de mensagens, mas nem o Presidente da República Cavaco Silva, nem o primeiro-ministro Passos Coelho o fizeram. "Recebi mensagens muito bonitas do General Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio, a primeira foi de António Costa, Jerónimo de Sousa e de várias pessoas muito interessantes. Ainda não sei quantas chamadas e mensagens recebi... mas as que eu gostava de receber, dos meus amigos e destas pessoas que eu quero bem, estou muito feliz", salientou.

Mas o momento é de festa e foram muitos os que quiseram dar os parabéns pessoalmente ao fadista que está a celebrar 50 anos de carreira. O músico Luís Represas contou ao DN como ficou feliz com a atribuição do Grammy a Carlos do Carmo: "Quando ouvi a notícia dei um salto que até parecia que tinha sido eu a ganhar. Acho que todos nós ganhámos." Realçou ainda que o fadista "é um artista com uma carreira dedicada à música portuguesa e em português". "Esta vida dele não ficou dentro das fronteiras. Todos nós somos representados." Luís Represas salientou também que Carlos do Carmo colocou "no seu devido lugar um grande povo, com uma grande história e com uma grande cultura".

A escritora Lídia Jorge considerou "merecidíssima" a atribuição do prémio ao fadista. "Significa que hoje, de facto, o mundo está diferente e recebe a cultura, designadamente a parte da canção portuguesa, com uma abertura que até há pouco tempo não recebia. Vai dar uma grande esperança aos jovens que muitas vezes pensam que ser português é um condenação."

Mas no salão nobre estava uma pessoa que era certamente uma das mais orgulhosas: Gil do Carmo. O músico, filho de Carlos do Carmo, confessou ao DN que tem dificuldade em traduzir em palavras o que sentiu ao saber do Grammy, referindo que ficou comovido e realçando a importância do prémio ser atribuído ainda em vida: "É muito especial. Estas coisas acontecem muitas vezes quando as pessoas já morreram."

Afirmou que o pai "transporta no canto, na música, na palavra, no ser, a verdadeira portugalidade e do ser lisboeta". Quanto à importância do Grammy, salientou: "Acho que ainda não tivemos consciência, como portugueses, da importância de um prémio como este e do como se vai refletir na nossa cultura, para gerações vindouras e para quem está a fazer música e arte."

Confessou que, enquanto músico, sempre que pisou o palco com o pai, viveu momentos mágicos, recordando quando Carlos do Carmo fez do filho o seu convidado especial nos dois concertos que marcaram o regresso ao Olympia. "Foi muito especial", contou. Mas será que vamos voltar a ver pai e filho juntos em palco? "Está na hora de, no mínimo, fazer um dueto."

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