As várias faces de Rihanna na Meo Arena

Mais de um ano depois de ter passado pela mesma sala, a cantora nascida nos Barbados voltou na terça-feira à noite ao antigo Pavilhão Atlântico com a 'Diamonds World Tour'.

Se tentarmos comparar a Rihanna que há oito anos se estreou com a canção Pon De Replay com aquela que na terça-feira à noite subiu ao palco da Meo Arena, quase que podemos falar de duas cantoras opostas. Hoje Rihanna entrega-se de corpo inteiro ao hedonismo e o espetáculo que apresentou em Lisboa é todo ele dominado pela provocação sexual.

É essa a Rihanna que de ano para ano enche grandes salas em todo o mundo, aquela que tenta vestir a pele de diva eurodance a bordo de canções como We Found Love, Only Girl (In the World) ou Where Have You Been (três dos últimos temas da noite, antes do enconre).

A euforia festiva que estas canções transportam em si proporcionou o momento mais aplaudido da noite, mas, tal como já tinha acontecido no final de 2011, quando a vimos na mesma sala, no final persiste a ideia de que esta Rihanna entregue a produções pop/house idealizadas por David Guetta, Calvins Harris (e afins) está praticamente descaracterizada da sua personalidade.

Ainda assim, o final com essa balada-fm que é Diamonds, assente que está na dimensão emocional da interpretação, faz-nos pensar que nem tudo está perdido.

O concerto começou mais de uma hora depois da dupla de DJs GTA ter terminado o seu set. Muitos chegaram a manifestar o seu desagrado com a espera assobiando. Mas pouco depois de Rihanna entrar em palco essa espera parecia esquecida na mente daqueles que na terça-feira encheram a Meo Arena.

A primeira parte do concerto foi essencialmente centrada nas canções dos seus dois últimos discos, Unapologetic (2012) e Talk That Talk (2011). Dedicou a Lisboa (pronunciada em português) o tema Pour It Up. Já o final de Numb contou com um longo solo de guitarra do português Nuno Bettencourt (que faz parte da banda de suporte da cantora).

Desde logo foi perceptível que este espetáculo da Diamonds World Tour (digressão que só chegará ao fim em novembro) não vive tanto das tradicionais coreografias encenadas ao milímetro (mas, ainda assim, a cantora esteve acompanhada por vários bailarinos) nem da criação de atos narrativos que dividem o concerto (como acontece com Madonna, por exemplo). Vive sim do aparatoso espetáculo visual proporcionado pelo muitos ecrãs móveis que vão criando vários cenários no decorrer da atuação e da constante provocação (com teor sexual) levada a cabo por Rihanna.

Mas mesmo que a elegância inocente do seu início de carreira esteja hoje ausente, no concerto não foram esquecidas as raízes caribenhas que também caracterizaram os primeiros anos do seu percurso. Isso porque de disco para disco Rihanna tem feito questão de recuperar o reggae e o dancehall, géneros aos quais se dedicou em tempos.

Em Lisboa, já com a segunda muda de vestimenta, a cantora deu voz assim a canções como You Da One, Man Down, No Love Allowed ou Rude Boy, que transportam uma tensão sexual própria dessas raízes caribenhas, e provou que é neste registo que a sua personalidade se torna mais vincada.

Recuperou canções de outros tempos como Umbrella ou Don't Stop the Music, atuou numa plataforma giratória durante Loveeeeeee Song, contou com um espetáculo de fogo em palco durante Red Lipstick, lembrou a sua colaboração com Kanye West com All of the Lights, pediu que o público cantasse consigo durante a balada What Now ("o amor é algo muito complicado", disse antes de se entregar ao tema). Mas o momento de euforia em uníssono só se proporcionou na sucessão de canções pop/house que começou em We Found Love, passou por S&M e Only Girl (in the world) e terminou com Where Have You Been. Foi também nesta altura que desceu do palco para cumprimentar os fãs das primeiras filas, dando alguns autógrafos e envergando uma bandeira de Portugal.

Tal como tem acontecido nos seus últimos discos, Rihanna mostrou várias das suas faces neste regresso a Lisboa. Ainda existe algum desnorte quanto ao potencial das suas valências. O papel de suposta diva eurodance pode criar suscitar euforia momentânea, mas ainda não lhe assenta na perfeição.

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