Ana Laíns - "Fiquei atónita com convite do Boy George"

Depois do dueto com Boy George, a cantora portuguesa lança hoje "Quatro caminhos". Este é o segundo trabalho da jovem cantora, que em 1999 ganhou a Grande noite do Fado" e que completa este ano dez anos de carreira. Com influências que vão de Amália, Zeca Afonso ou Fausto, Ana Laíns, é  "uma cantora de um fado diferente" como escreveram dela na Grécia espera ganhar o seu espaço no mercado musical em Portugal.

Porquê "Quatro caminhos" depois de "Sentidos", o primeiro disco?

Sentidos foi o meu disco de apresentação ao mercado discográfico, o meu cartão de visita. "Quatro caminhos" é um disco que resulta de todo um percurso de experiências adquiridas depois do primeiro, em que aprendi muito de mim e durante o qual questionei muitas das minhas certezas, concluindo que era importante salientar o respeito pelos caminhos de cada um, pelas diferentes perspectivas de cada um, inclusive as minhas. As minhas cores, a subjectividade das minhas opções dentro do meu "colorido" percurso musical enquanto profissional. É um abordar a vida, ao fim e ao cabo, mas na plenitude da sua abrangência. Agora noto as minhas cores musicais muito mais vincadas neste trabalho, noto o meu próprio crescimento enquanto intérprete, e, fundamentalmente, um caminho muito mais coerente dentro da minha linha musical:a fusão entre duas linguagem que são maiores na minha vida, o fado e a música tradicional portuguesa.

Como aparece o Boy George na sua vida?

Foi através de um contacto estabelecido pela minha editora. Ele conheceu a minha voz no Myspace e sugeriu que fizéssemos um dueto para o próximo disco. Fiquei atónita com o convite, e naturalmente contente, e decidi aceder ao pedido quase imediatamente.

Como é ele? Como foi a sensação de cantar com ele?

Ele é uma simpatia. Depois de ouvir o trabalho final recebi uma mensagem dele através do Myspace em que me diz: "Ana, thank you so much, your voice is sublime!! you sound like an angel..." É claro que me faz sentir bem o reconhecimento de um ícone da pop britânica e Mundial. Foi uma honra!

E quando pudemos ouvir esse dueto?

O novo disco dele sai em final de Março e sei da vontade que tem de vir a Portugal para o apresentar.

Qual é a agenda musical que se segue?

O lançamento oficial é hoje e estarei na FNAC Colombo (18.30) e FNAC Vasco da Gama (22.00). Depois segue-se a promoção por esse país fora, presença em programas culturais e espectáculos ao vivo antes de partir em digressão para o estrangeiro. No dia 10 de Março vou estar no Casino Estoril, num espectáculo ao lado de grandes nomes da música portuguesa como Luís Represas, Rao Kyao, Maria João e Mário Laginha, entre outros. "Quatro caminhos" já foi lançado ao vivo no Casino da Figueira, onde eu fiz carreira, e em Lisboa ainda estamos a negociar uma sala para o primeiro concerto.


"Sou uma cantora colorida"

Que objectivos espera com este segundo CD?

Chegar a mais corações, e dar continuidade ao trabalho e resultados atingidos com o primeiro, que felizmente já chegou a muita gente e comprovou o sentido do meu caminho, em Portugal e em especial no estrangeiro onde esse disco foi muito bem recebido pela crítica.

Cantar em português porquê?

Porque é a minha língua, porque a amo e lhe reconheço todas as capacidades. Essencialmente, porque independentemente de uma ou outra visita noutra língua, é em português que me entendo e me reconheço.

Tem medo de ser apenas mais uma no meio da "enxurrada" de jovens músicos a tentar singrar no meio musical?

Não, de forma alguma. Acredito que a triagem é feita por quem sabe e sente, que é o público e os verdadeiros apreciadores de música. O meu medo reside apenas na incapacidade de cantar e viver fazendo o que mais gosto.

O que diria às pessoas para  comprar "Quatro caminhos" em vez de outro CD qualquer?

A Ana Laíns é uma cantora colorida, como costumo afirmar, que canta fado, uma fadista que canta outras músicas e que vê a nossa música sem canons; pré-estabelecidos, sem medo de criar dentro daquelas que são as suas vivências de acordo com uma Portugalidade que por si só justifica toda a sua criatividade. Que ama a cultura musical do seu país acima de qualquer conotação ou conceito.

Apesar de ter apenas 29 anos já tem quase dez anos de carreira...

Sim... Já tenho toda uma maturidade que tenho vindo a adquirir, ao meu ritmo. Se hoje sou uma pessoa sem preconceitos e com o conhecimento que tenho, é porque nunca impus em mim restrições na hora de abordar diferentes estilos de música e formas de estar e fazer música. Tenho de agradecer à cumplicidade de muitas das casas por onde passei e me deram "abrigo" e me ajudaram a crescer, como o Casino da Figueira.


Amélia Muge e Diogo Clemente escreveram o single que dá nome ao CD

Em "Quatro Caminhos" conta com músicos de excelência como Diogo Clemente (que actualmente está em digressão com Mariza) e com autores como Amélia Muge. Faz questão de estar rodeada pelos melhores?

É um privilégio ter o apoio de gente que sabe tanto, que tem um coração e uma alma tão grandes. Quis garantir a melhor qualidade possível ao conceito deste disco, aos poemas, às composições e aos arranjos e é muito estimulante contar com a confiança desta equipa. Estou rodeada de grandes músicos, autores, compositores... e isso acrescenta muita qualidade ao meu trabalho.
 
É difícil ser cantora a cantar em português em Portugal?

Cantar é o que sou. É a minha forma de estar, sentir, ser... É difícil ser-se cantora e cantar em português, especialmente no meu próprio país. No entanto sinto, nos concertos que fazemos no estrangeiro, que a curiosidade sobre a nossa língua e música é imensa. É uma questão de moda? de curiosidade por tudo o que é étnico? Não sei, o tempo o dirá. Mas não me revejo noutra forma de expressão ou outra língua... e já tive possibilidades de ir por aí, pelo caminho mais fácil!

Pode-se viver da música em Portugal?

Com muito esforço. Precisamos urgentemente de algumas remodelações no mercado discográfico e de concertos, sob pena de não conseguirmos subsistir. Mas o amor à música supera tudo. E eu, pessoalmente luto todos os dias por melhores condições de trabalho e respeito, mas só se obteremos resultados quando houver uma maior união entre todos os profissionais da música, das artes em geral.

Quem para si é indispensável à música portuguesa hoje em dia?

Todos!

VEJA OS VÍDEOS:

Ana Laíns - Quatro Caminhos


Boy George feat. Ana Lains - Amazing Grace




Mais Notícias

Outras Notícias GMG