Morreu Luísa Cortesão, a grafitter de bruxinhas

Luísa Cortesão morreu hoje aos 65 anos.

As bruxinhas, fadas,dragões ou "velhinhas" eram a sua imagem de marca. Assinava *L e participou em vários workshops da Lata 65, um coletivo que dinamizava a arte urbana entre os mais velhos. Luísa Cortesão, 65 anos, depois de uma vida dedicada à medicina, apaixonou-se pela arte de stencil.

"Pôr velhos a fazer arte urbana coloca as pessoas em geral a olharem para ela de uma forma diferente, porque pensam que se os idosos também fazem, se calhar não é vandalismo",disse ao DN em novembro de 2014. Participava na altura num workshop da Lata 65, um projeto integrado no Wool, Festival de Arte Urbana da Covilhã.

Foi precisamente no Wool que Luísa se estreou na arte do stencil. Desafiada pela filha Rosa Pomar, Luísa participou num workshop Lata 65, em 2012, na Covilhã. Surpreendeu o formador ao agarrar num x-ato e cortar aquela que se tornou a sua inconfundível imagem de marca: uma bruxinha. No dia seguinte levou "uma velhinha com uma lata de spray na mão", o primeiro desenho que pintou na parede e que se tornou o símbolo do Lata 65 - arte urbana para seniores.

"Era o nosso maior exemplo, uma inspiração, uma alegria. A força dela em fazer algo sempre novo", diz comovida ao DN Lara Seixo Rodrigues, arquiteta e dinamizadora do Lata 65. "Estava sempre a procurar ser mais curiosa e a aprender coisas novas", referiu.

Luísa dedicou quase toda à sua vida à endocrinologia. Deixou de trabalhar aos 59 anos, devido a um problema de saúde que lhe afetou a audição e a visão. Em 2014, numa entrevista do DN, contou que desenhar a ajudava a manter a sua sanidade mental. Em 2002, criou o site Colheres, juntamente com as filhas, no qual disponibilizavam ícones para o ambiente de trabalho.

Casada com o crítico de arte Alexandre Pomar, filho do pintor Júlio Pomar, Luísa tinha duas filhas.

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