Moreira faz "das tripas coração" para gerir cultura do Porto

Com um orçamento de 900 mil euros, reforçado em cerca de 8% face ao de 2015, Rui Moreira e Tiago Guedes mostraram ontem os trunfos até julho deste ano

O presidente da Câmara do Porto tem "feito das tripas coração" para continuar o trabalho do amigo e antigo vereador da cultura Paulo Cunha e Silva desde a sua morte inesperada, em novembro do ano passado. Para Rui Moreira, "era inevitável" assumir o pelouro, uma vez que a cultura foi um dos "pilares e fez parte da estratégia" da candidatura à autarquia. A prová-lo a apresentação, ontem, no Rivoli, de uma programação para o primeiro semestre deste ano, com destaque para a dança, e com aumento de orçamento em cerca de 8%.

"Quando temos uma equipa preparada para a cultura e não temos mais ninguém na lista a quem recorrer, era inevitável que assumisse o pelouro", disse Rui Moreira, ainda abatido pela morte do amigo. O presidente da câmara do Porto assumiu o pelouro da Cultura, depois da morte de Paulo Cunha e Silva. Na altura, manteve toda a programação agendada, e ontem explicou que "a cidade não nos deixará parar. Precisamos de encontrar mosaicos e desafios". Rui Moreira disse ser "curioso que este acontecimento trágico tenha contribuído para que as pessoas, subitamente, viessem com propostas". Paulo Cunha e Silva foi um dos braços direitos de Rui Moreira na elaboração do seu programa eleitoral, como independente, e ocupou o quarto lugar na sua lista à vereação.

O antigo vereador da cultura recriou os teatros municipais Rivoli e Campo Alegre, promoveu a organização da Feira do Livro do Porto pela primeira vez no domínio da câmara do Porto. E criou um vasto programa de "Cultura em Expansão". Por isso mesmo e porque Rui Moreira sempre considerou a cultura um dos pilares, mantém a aposta. "Tem de haver dinheiro para a cultura. Temos um modelo sustentável", disse. Mais, realçou, "o que Paulo Cunha e Silva fez, enquanto vereador da cultura, foi tentar usar a capacidade de invenção que temos na cidade". Lamentou, contudo: "Não podemos ter orçamentos como as cidades europeias e até Lisboa. O que nos obriga a sermos mais experimentais e a envolver os atores locais".

Dando continuidade ao trabalho de Paulo Cunha e Silva, Rui Moreira e o diretor de programação do Teatro Municipal do Porto, Tiago Guedes, apresentaram, a programação até julho deste ano. Apostaram num aumento do orçamento para a programação em 8%. São 900 mil euros para a programação de 2016, dos quais 630 mil euros são custos de janeiro a julho deste ano.

Rui Moreira espera atrair mais público com uma programação, conhecida até julho que inclui 15 espetáculos internacionais e 13 de criadores da cidade, coproduzidos pelo Teatro. Ao todo, 41 dos 77 espetáculos são estreias nacionais ou absolutas.

Festival de dança em abril

A dança terá, em 2016, um espaço destacado no Rivoli, já que cerca de metade dos espetáculos que ocorrerão no Grande Auditório Manoel Oliveira terão a dança como arte principal. Destaque para a realização, pela primeira vez, do festival de cidade DDD - Dias da Dança, em pareceria com Matosinhos e Vila Nova de Gaia. "Investimos mais nas coproduções e nas companhias de dança e fazemos projetos que são eventos únicos", disse Tiago Guedes. Outro dos pontos altos é a estreia, 18 anos depois, de um espetáculo da Companhia Nacional de Bailado, no Rivoli.

Entre as novidades, os espetáculos do projeto Porto Best of, que representa o cruzamento de novas bandas da cidade com bandas históricas, que tocarão álbuns icónicos da sua discografia. Arranca a 9 de março com os GNR a revisitarem o álbum Psicopátria.

Segundo Rui Moreira, registaram-se 130 mil espetadores em 2015. A programação de 2015, primeiro ano completo de atividade do Teatro Municipal do Porto criado pelo executivo de Rui Moreira em 2014, incluiu ainda 17 estreias nacionais de companhias internacionais, 55 estreias absolutas de artistas e companhias locais e 35 coproduções com artistas e companhias locais.

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