Melodia dos "haters"

O sucesso de "La La Land" não agrada a todos.

É óptimo que Hollywood ainda consiga criar objetos que causem estremecimentos para os dois lados. Tal como neste jornal, um objeto como La La Land- Melodia de Amor (o pior título português do ano!) tinha de criar divisões - isso é saudável, lança debate e um espaço de reflexão. Sobretudo um filme que quer instalar uma noção de felicidade e de euforia para o espetador. Volto a repetir, o choque de gostos neste caso faz sentido e eu sou daqueles que ama desmedidamente o filme. Fez-me voar, levitar, acreditar no romance e sabe-se lá mais o quê.

O meu pé atrás são os haters com agenda. Uma agenda que passa pelo preconceito mais básico ao cinema americano popular (preconceito que chega também ao cinema "indie"- está na moda em Portugal bater-se forte e feio nos filmes que chegam do Festival Sundance com certo hype). Faz-me impressão que ataquem o realizador Damien Chazelle apenas pelo imenso sucesso que o filme está a ter (sucesso de bilheteira, de prémios e de associações de críticos, tendo ganho a mais respeitada de todas, a de Nova Iorque, bem como relevância na Europa: teve honras de abertura de Veneza e lá ganhou melhor atriz, Emma Stone...).

Lembro-me da mesma sobranceria com que certos críticos trataram (ou ignoram) Passado Sangrento (1996), de P.T. Anderson, que depois de Boogie Nights e Magnolia já era o "maior". O mesmo se passou com os primeiros filmes de Alexander Payne ou David O. Russell. Eram americanos e não foram logo descobertos pela Cahiers du Cinema ou pela Les Inrocks... No caso de La La Land, o preconceito vai inchar por estes dias quando chegarem as nomeações e, mais tarde os Óscares (ui que sacrilégio tantos Globos de Ouro - os sete - terão pensado). E não se duvide, vai vencer os principais prémios da Academia (a não ser que a simpatia em torno de Moonlight baralhe as contas...).

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