Medidas na cultura recebidas com críticas

Ricardo Pais é o mais duro, mas agentes culturais duvidam da força política da ministra para impor as alterações anunciadas

Património, museus, cinema, estatuto do bailarino, depósito legal e cópia legal são as seis áreas nas quais a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, vai avançar com pacotes legislativos. A revelação foi feita pela responsável governamental em entrevista à Lusa.

Fazendo um balanço positivo da experiência de 13 meses no Executivo, sublinhou, no entanto, que "só se está numa situação destas por um sentimento de serviço público", sobretudo na actual legislatura, "o período histórico pior de que há memória". Por isso mesmo, Gabriela Canavilhas socorreu-se de uma frase do estadista alemão Bismarck, que dizia que a política é a arte do possível, afirmando que, neste momento, "a política é a arte do impossível, mas como a cultura e as artes são feias de ultrapassar o possível, de entrar no domínio do impossível e da superação da insatisfação, enquadra-se no espírito".

Quanto ao património, depósito legal e cópia legal, a entrevista não avança medidas. Mas nas outras áreas são apontadas as iniciativas a adoptar. O DN falou com alguns dos agentes afectados pelas medidas anunciadas (ver textos em baixo) e mesmo as iniciativas consideradas positivas são vistas com alguma apreensão.

Na entrevista à Lusa, Gabriela Canavilhas defendeu ainda que o sector cultural não deve estar tão focado no financiamento. "Percebo que não se faz cultura sem investimento. Mas a verdade é que a cultura também se faz de outras maneiras." Neste âmbito, destacou as estratégias de internacionalização que prepara em conjunto com o Ministério da Economia e o Instituto Camões para "permitir criar ciclos de financiamento através do QREN [Quadro de Referência Estratégico Nacional], com linhas criadas especialmente para o efeito". Para as indústrias culturais e criativas, a ministra considera essencial "um plano em quatro fases que vai desde a formação ao financiamento, à internacionalização e aos direitos de autor". Por isso, explicou, está a ser feito um "levantamento exaustivo" dos "mecanismos dispersos que nem os criadores sabem quais são", incluindo linhas de financiamento bancário.

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