Máscaras e danças. Era assim o Carnaval no Palácio de Queluz

Com cartão, cola e purpurinas, imitam-se as márcaras que faziam as delícias dos cortesãos dos reis de Portugal quando este palácio abriu as portas no final do século XVIII

Tudo começa numa máscara de cartão, com o desenho de uma senhora de cabelo armado ou um senhor de peruca branca. Com fiadas de pérolas, pedrinhas brilhantes e purpurinas imitam-se os penteados do tempo da rainha francesa Maria Antonieta. Um naperon de papel dourado cortado ao meio imita o laço dos nobres do tempo do seu marido, o rei Luís XVI. Os vestidos de princesa e príncipe dão o toque final e faz-se de conta que estamos baile de Carnaval em Versalhes.

Pequeno Versalhes é, de resto, o nome que ainda é dado ao Palácio Nacional de Queluz, onde este domingo e terça, entre as 15.00 e as 17.00, se brinca ao Carnaval, evocando a corte setecentista, dos tempos da inauguração desta residência de verão da família real portuguesa.

Pais e filhos, num total de 60, são recebidos numa das antigas entradas do palácio, agora monumento público, e metem mãos à obra. É hora de fazer a máscara. "Cuidado com a cola", diz o senhor trajada à época que se apresenta como marquês de Queluz. O aviso é para a marquesa, que ajuda a decorar o acessório.

Um pauzinho de madeira servirá para segurar cada uma das máscaras dos participantes mais à frente, quando a festa começar. "Elas servem mais para nos mostrarmos do que para nos escondermos", diz o marquês. Até aqui, e com imaginação, o disfarce pode nascer em qualquer parte. É o que vem a seguir que só é possível fazer no Palácio Nacional de Queluz...

Modinhas na Sala da Música...

Os "marqueses" - ele com a cara pintada de branco, ela com um vestido com armação - imitam os cortesãos da época. Na realidade, ele é animador, ela é atriz, e, dizem ao DN, preferem não sair do papel durante as duas horas pelas quais se prolonga a experiência. "Se insistirem muito nós dizemos que somos "marqueses de Sassoeiros"". A atividade é recomendada para crianças a partir dos seis anos (e sempre acompanhadas por adultos), "mas a que as de quatro já reagem muito bem", explica o anfitrião. As entradas custam 9 euros.

De máscara na mão, os convidados atravessam os corredores do palácio e passam pelos aposentos onde nasceu D. Pedro IV, por onde passou a sua filha, a rainha D. Maria II, e onde os infantes passaram férias de verão. Propriedade Fazenda Nacional a partir de 1908, o palácio ardeu em 1934 e ficou parcialmente destruído. Sobreviveu o corpo central do edifício e a zona norte ficou reduzida ao piso térreo após a reconstrução.

A Sala da Música, com o respetivo piano, reabriu em 2001, e é lá os convidados fazem a primeira paragem para ouvir quatro modinhas "adocicadas com o sotaque do Brasil", como diz o marquês. Evocam os tempos em que a família real viveu no Brasil.

...E dança barroca na Sala do Trono

O caminho continua até uma das dependências mais nobres e conhecidas do Palácio Nacional de Queluz, a Sala do Trono, aquela onde se fazem banquetes para os chefes de Estado que visitam Portugal. É aqui que os marques fazem uma entrée de minuet, e convidam os presentes a aprenderem um passo. "A dança barroca não é fácil", admite. Mas, prometem ambos, o passo é simples.

Os próprios animadores receberam aulas. "A nossa professora foi a Isabel Gonzaga do Conservatório Nacional de Dança. Algumas composições não têm notação da dança, são originais [de Isabel Gonzaga], segundo o código de dança da época". Uma época em que o gosto é moldado à francesa e em que "dentro da gramática das várias artes que o cortesão devia dominar, estava a dança", completa o marquês. De mão dada com a marquesa, faz a última dança.

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