Maratona teatral de oito horas no Teatro São João

Texto do austríaco Karl Kraus sobre a Primeira Guerra Mundial vai ser encenado pela primeira vez em Portugal na nova temporada

A 19 de novembro, o Teatro Nacional São João, no Porto, vai escrever mais uma página que ficará na história dos 218 anos da instituição: pela primeira vez vai subir a um palco nacional Os Últimos Dias da Humanidade, do austríaco Karl Kraus, na sua versão integral, ou seja, oito horas de espetáculo. Este é um dos destaques da programação do São João até ao final do ano que ontem foi apresentada.

"Pela duração, pela qualidade e pela aventura, Os Últimos Dias da Humanidade, é destacável nos próximos quatro meses de programação", acede Nuno Carinhas, diretor artístico do Teatro. "É uma dramaturgia monstruosa, no bom sentido do monstro, e ao fim de cem anos alguém em Portugal vai pegar nela. Vamos fazer a versão integral, e acho que isso é extraordinariamente importante como missão pública". Foi a partir da versão integral, numa tradução de António Sousa Ribeiro, "que desenhámos esta dramaturgia que se passará em três ciclos, Esta Grande Guerra, Guerra é Guerra e A Última Noite", que será apresentada entre 27 de outubro e 19 de novembro. "Trata-se de voltar a olhar para a Primeira Guerra Mundial, numa altura em que temos a Europa tão cheia de interrogações sobre a sua organização", refere Nuno Carinhas, explicando que cada espetáculo vive por si. O texto, considerado por muitos como "impossível de pôr em cena" e pelo próprio autor como sendo para representar por um "teatro de Marte", está a ser trabalhado por Nuno Carinhas e Nuno M. Cardoso há três anos.

Para além deste momento alto, para a abertura da temporada, a 15 de setembro, está agendada uma das sete estreias que nos próximos quatro meses vão subir ao palco do São João e do Carlos Alberto: Cordel. Uma coprodução que "ressuscita essa tradição das publicações de cordel e é uma escrita original, de Amélia Lopes e José Carretas". Aliás, como faz questão de sublinhar Nuno Carinhas, "no percurso desta programação, há que destacar a quantidade de escrita original". Que para além desta coprodução com a Panmixia, se estende a Bácoro, escrito e encenado por Ricardo Alves, produzido em parceria com o Teatro da Palmilha Dentada e a Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão, que sobe ao palco do Teatro Carlos Alberto entre os dias 29 de setembro e 16 de outubro. Esta história, feita de amor e violência, triunfos e matanças, resulta de um trabalho conjunto de Ricardo Alves com a artista plástica e cenógrafa Sandra Neves, cujos desenhos e esculturas foram o ponto de partida desta criação. Por isso, "em palco, os atores Ivo Bastos, Nuno Preto e Rui Oliveira contracenam com marionetas, dando corpo a uma espécie de alegoria suína sobre as dores e alegrias de sermos humanos", avança o programa do São João.

Gonçalo M. Tavares e Jacinto Lucas Pires juntam-se aos nomes que criaram textos originais. O primeiro a estrear é O Bem, o Mal e o Assim-Assim, do autor de Jerusalém, a 21 de outubro, com encenação de João Luiz. Também no Carlos Alberto, mas em novembro, entre os dias 9 e 13, é apresentado Henrique IV, Parte 3, de Jacinto Lucas Pires.

Ainda no palco, mas noutra área, destaque para Cinco Formas de Morrer de Amor, espetáculo da soprano Catarina Molder com direção cénica de Lígia Roque, que conjuga sonoridades tão diversas como a ópera de Shostakovich e o pop dos Clã, a 30 de setembro e 1 de outubro, Dia Mundial da Música. Fora do palco, assinale-se ainda a mesa-redonda Economia, Arte, Europa que a 20 de novembro junta no Mosteiro de São Bento da Vitória o economista checo Tomáš Sedlácek, autor do best seller A Economia do Bem e do Mal, Sergio Escobar, diretor do Piccolo Teatro di Milano, Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto, e Nuno Carinhas.

O já habitual intercâmbio de obras com o Teatro D. Maria II acontece no primeiro trimestre de 2017, altura em que Os Últimos Dias da Humanidade será apresentado em Lisboa.

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