Várias personalidades enaltecem obra de Saramago

Várias personalidade da cultura e da política, governantes e autarcas enalteceram hoje, na abertura da Fundação José Saramago, a obra do escritor e prestaram-lhe uma homenagem com a colocação de uma flor na oliveira, onde repousam as suas cinzas.

Jerónimo de Sousa, Mário Soares, Manuela Eanes, Carvalho da Silva e Gabriela Canavilhas foram algumas das muitas personalidades que marcaram presença na cerimónia, na Casa dos Bicos, que foi iniciada com o discurso de Saramago quando recebeu o Prémio Nobel da Literatura.

À margem da cerimónia, o secretário de Estado da Cultura destacou a importância da Fundação: "Preserva a obra, a memória e o espólio do único Prémio Nobel da Literatura portuguesa e de um dos grandes mestres da Língua Portuguesa". Francisco José Viegas considerou a exposição "absolutamente notável" por reservar "algumas surpresas" sobre a memória do escritor, a construção da sua obra e a figura literária.

Para o histórico socialista Mário Soares, a instituição representa uma "grande homenagem" ao escritor, mas também "um ato extremamente importante". "A Câmara de Lisboa teve a coragem de ceder esta magnífica casa, houve dois arquitetos que trataram do edifício de uma forma maravilhosa, está uma obra-prima. Foi um esforço extraordinário e fica para Portugal uma obra muito importante", comentou.

Recordando a sua amizade com o escritor, Mário Soares afirmou que, apesar das "grandes divergências políticas e não literárias" que tiveram, mantiveram sempre "uma relação muito boa de amizade, graças, em grande parte, também à Pilar".

Ao depositar um cravo branco junto à oliveira, decorada com cartões com várias frases do escritor, Mário Soares disse que o fez com "muito gosto e muita honra".

O líder do PCP desejou que a Fundação não seja "apenas uma referência cultural de elite, mas que acolha a dimensão da obra de Saramago, os protagonistas, os atores e os seres humanos que ele escreveu e pelos quais sofreu e lutou".

"O Saramago tinha uma característica: Não era fácil de ler, mas quem lia e persistia percebia perfeitamente, desde o trabalhador mais modesto à figura mais elevada da nossa intelectualidade", comentou Jerónimo de Sousa.

O presidente da autarquia lisboeta considerou que a Fundação foi "uma excelente oportunidade de recuperar e devolver a Casa dos Bicos ao público".

E, adiantou António Costa, trouxe para a cidade "um espólio importante que estava em Lanzarote (Espanha) e que vai ficar acessível na cidade de José Saramago, uma forma de homenagear esse nome maior da literatura, preservar o seu nome e divulgar a sua obra".

Durante a cerimónia, a viúva do escritor e presidente da Fundação afirmou que os que ficaram com "a responsabilidade de gerir a Casa dos Bicos e o legado de José Saramago vão procurar ser dignos de tamanho compromisso".

"Neste espaço maravilhoso, tão cheia de história, de arte e literatura, há uma palavra que está banida: o cansaço", assegurou Pilar Del Río.

"A Fundação José Saramago foi criada para cuidar do mundo, do meio ambiente e da literatura portuguesa", vincou.

O filósofo e ensaísta Eduardo Lourenço não pôde estar presente, mas fez questão de enviar uma mensagem, em que afirma: "Com Saramago entra nesta casa uma geração que desejou de olhos abertos, se não mudar o mundo, torná-lo digno de ser salvo da sua irredenta inumanidade".

Mais Notícias

Outras Notícias GMG