Uma homenagem às "mulheres" na obra do Nobel da Literatura

A voz de José Saramago ecoou na noite de terça-feira na Casa da América, em Madrid, no arranque da leitura dramatizada de excertos das suas obras em homenagem ao escritor mas também às 'mulheres' que criou.

"Recordando a José -- Vozes de mulher na obra de Saramago" reuniu no palco Pilar Bardem, María Pagés, Aitana Sánchez-Gijón, Pastora Vega e a própria Pilar del Rio, que leram excertos de obras como "Ensaio sobre a cegueira", "As intermitências da morte" ou "Memorial do Convento".

"Saramago no memorial do convento diz que o mundo se sustem na sua orbita graças à conversa das mulheres. Em todos os seus livros a mulher é a personagem forte", disse Pilar del Rio, viúva do escritor e que também participou na leitura.

"É a que conserva a vista quando os outros ficam cegos, a que vê no interior das pessoas, a que sabe se os seres humanos têm vontade ou não. Em todos os livros, há uma mulher forte porque Saramago sempre disse que foi educado por mulheres fortes, analfabetas, mas que lhe ensinaram o fundamento da vida: a honestidade", explicou.

Admitindo que entre as personagens que mais gosta na obra de Saramago estão "a mulher do médico" (Ensaio sobre a Cegueira) e Blimunda (Memorial do Convento), Pilar del Rio explicou que Saramago "inventava as mulheres que queria encontrar na vida".

"Mas dizia também que reproduzia o que tinha visto. Queria estar em contacto com mulheres fortes", disse.

"E há muitas mulheres fortes que não foram guerreiras, que não descobriram o mundo, mas que deram de comer, que tiveram filhos, que sustiveram a vida", afirmou.

Mais de 300 pessoas acompanharam a leitura dramatizada onde participou ainda o violoncelista Adam Hunter.

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