Porto Editora continuar obra da Assírio & Alvim

A Porto Editora adquiriu a chancela da Assírio & Alvim, disse hoje o diretor editorial do grupo, referindo ser um investimento para "dar continuidade" à obra e ao catálogo que, "se fosse pelo dinheiro envolvido, não se teria" concretizado.

Com esta aquisição, o Grupo Porto Editora vai assegurar integralmente a produção editorial e a distribuição de todo do catálogo da Assírio & Alvim.

Vasco Teixeira, administrador e diretor editorial do Grupo Porto Editora, disse à agência Lusa que esta aquisição "representa o apoio a um tipo de catálogo que tem livros e autores muito importantes", tratando-se, por isso, de "um investimento na língua e na cultura portuguesas e na cultura do livro em geral".

Vasco Teixeira afirmou que a Assírio & Alvim "tem um catálogo ímpar" e que a Porto Editora, com a sua "organização e dimensão", vai fazê-lo "perdurar, estender-se e estar disponível ao público, coisa que, com a crise, com as dificuldades do setor, poderia estar ameaçada".

O diretor editorial da Porto Editora escusou-se a avançar o montante da aquisição, afirmando "não ser importante", até porque, "se fosse pelo dinheiro envolvido, o negócio não se teria feito".

"O fundamento do negócio é mesmo dar continuidade a uma obra e a um catálogo", reiterou.

Vasco Teixeira afirmou que o Grupo Porto Editora vai contar com a colaboração de Manuel Rosa, atual acionista maioritário e um dos fundadores da Assírio & Alvim, que assumirá o papel de colaborador externo para esta chancela.

Segundo um comunicado divulgado hoje, nesta nova fase, a Assírio & Alvim vai privilegiar três linhas de trabalho: publicação de grandes autores portugueses, com destaque para Fernando Pessoa, a poesia e a grande herança clássica da literatura mundial.

"Um país que sonha -- cem anos de poesia colombiana", com organização de Lauren Mendinueta e traduções de Nuno Júdice e "Igreja e Sociedade Portuguesa -- do Liberalismo à República, do bispo do Porto, D. Manuel Clemente, estão entre os títulos a publicar brevemente.

Questionado sobre a possibilidade de a Porto Editora avançar com novas aquisições, Vasco Teixeira disse que o grupo "não está neste momento a analisar" qualquer negócio, mas também não "enjeita qualquer hipótese que possa vir a surgir".

"Já temos um conjunto de chancelas bastante diversificado. Cobrimos as áreas que nos interessa cobrir e que são praticamente todas, por isso não estamos à procura de adquirir empresas ou de reforçar a posição, que já é de líder" no mercado português, afirmou o responsável.

Atualmente, o Grupo Porto Editora está mais fixado noutros mercados, nomeadamente os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

Nestes países, adiantou Vasco Teixeira, a Porto Editora tem estado envolvida na execução de manuais escolares e participado em concursos e projetos especiais.

"Estamos nesses países [PALOP} com uma perspetiva de médio/longo prazo. Estamos a investir na colaboração com as estruturas locais, com as escolas, com os Governos para que daqui a uns anos tenhamos uma posição forte", concluiu.

O Grupo Porto Editora é constituído pelas empresas Areal Editores, Bertrand Editora, Circulo de Leitores, Lisboa Editora, Distribuidora de Livros Bertrand, Livrarias Bertrand, Plural Editores Angola, Plural Editores Moçambique e a unidade de produção Bloco Gráfico.

O grupo conta com um o portfólio de chancelas que inclui Albatroz, ArtePlural, Contraponto, GestãoPlus, Ideias de Ler, Pergaminho, Quetzal Editores, Sextante Editora, Temas e Debates e 11x17.

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