Elogio à independência financeira da Fundação Saramago

O secretário de Estado da Cultura elogiou hoje a decisão da Fundação José Saramago de não ter financiamento do Estado, preferindo manter a sua independência.

Francisco José Viegas falou à agência Lusa na biblioteca do Palácio das Galveias, em Lisboa, onde decorre uma homenagem a José Saramago, quatro anos passados sobre a assinatura do protocolo que criou a fundação com o seu nome, que vai instalar-se, se tudo correr como previsto, na Casa dos Bicos, ainda este ano.

Em declarações à agência Lusa a 15 de Junho, Pilar del Río, presidente da Fundação José Saramago e companheira do escritor durante mais de 20 anos, disse: "Não vamos ter dinheiro do Estado. A Fundação José Saramago não admite dinheiro público. Temos que nos alimentar a nós mesmos, trabalhando, com todo o nosso empenho, toda a nossa energia e toda a nossa capacidade criativa", frisou, na altura, adiantando que "a fundação buscará dinheiro como puder".

Realçando que "há outras formas de apoio que não seja injectar dinheiro", o recém-empossado secretário de Estado da Cultura assegurou, por outro lado, que o Estado acompanhará de perto a actividade da Fundação José Saramago, "apoiando-a no que for necessário".

"O secretário de Estado não veio, vim eu". Assim disse Francisco José Viegas antes de ler, na sala da biblioteca do Palácio das Galveias, o texto que ele próprio escreveu para o livro "Palavras para José Saramago", uma recolha de testemunhos publicados aquando da morte do escritor. " saída, cumpriu, aceitando falar sobre a Fundação José Saramago, mas não sobre o Programa do Governo para a área da cultura, conhecido na terça-feira.

A Fundação José Saramago terá sede na Casa dos Bicos, em Lisboa, mas quando as obras de instalação começaram, foram descobertos achados arqueológicos, o que tem atrasado a conclusão do processo. Se as obras terminarem em Agosto, prazo apontado pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, o socialista António Costa, a casa poderá abrir em Novembro, estima Pilar del Río.

A jornalista e tradutora da obra de Saramago abriu as hostes na cerimónia de homenagem, que ainda decorre no Palácio das Galveias, por onde já passaram o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, e o reitor da Universidade Aberta, Carlos Reis, entre outros.

Em nome da fundação a que preside, Pilar del Río prometeu honrar "os valores de Saramago" e o seu "espírito transgressor".

Garantindo uma "casa aberta a todos e onde todos caberão", prometeu vir a ler em português, um dia, e convidou ao voo - porque Saramago dizia que "mais do que andar ou navegar, é preciso voar".

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