As cartas íntimas de Eça de Queiroz foram reeditadas

A obra "Eça de Queiroz entre os seus" foi reeditada e volta a refutar as teses que descreviam o escritor como uma pessoa fria, sem capacidade de amar e que tinha um casamento de conveniência.

Em 1949, Maria d'Eça de Queiroz, edita pela primeira vez esta obra com o objetivo de mostrar que o pai não era o homem que algumas teses defendiam. Para o livro, Maria, com o apoio do irmão António, escolheu excertos de cartas íntimas que o pai trocava com a mãe.

"O livro auto apresenta-se. Quando se começa a ler, aproximamo-nos logo de Eça de Queiroz", salientou Isabel Alçada, que hoje apresentou o livro no Grémio Literário, em Lisboa. A ex-ministra da Educação recordou que quando estudou o escritor, a sua professora referiu precisamente essa suposta personalidade de ser uma pessoa fria, incapaz de amar e com um casamento de conveniência. Isabel Alçada disse que as cartas publicadas demonstram que tal não era verdade.

Contou ainda que a filha do escritor, hesitou em publicar as cartas "para não devassar a vida dos pais". Já tinha realizado uma conferência, precisamente no Grémio Literário, para refutar as teses, mas optou por publicar excertos da correspondência do pai.

Mas nesta obra, também Maria e António deixam os testemunhos da sua infância. "Ninguém melhor que os filhos para falar sobre os relacionamentos dos pais com os amigos."

Isabel Alçada leu alguns excertos da obra durante a apresentação - que contou com a presença de familiares do escritor - e admitiu que ao ler sentia-se como se fosse parte da família, realçando que é essa a sensação que fica quando se percebe a relação que Eça de Queiroz tinha com a mulher e os filhos através da leitura das cartas.

Irene Fialho escreveu o prefácio de "Eça de Queiroz entre os seus" e explicou que a reedição da obra é também uma "homenagem à filha de Eça de Queiroz por ter guardado tão bem o espólio" do escritor.

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