APEL critica "entendimento errado" da Câmara sobre Feira do Livro

A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) criticou hoje o entendimento "errado" da Câmara do Porto sobre a Feira do Livro na cidade, suspensa este ano por falta de financiamento, mas espera que o certame volte em 2014.

"Para os editores que estão presentes é sempre um esforço. Mas não é esse o entendimento [da câmara]. O entendimento é que se trata de uma atividade comercial pura e simples e portanto não justifica, não coincide com os interesses da câmara neste momento [e] não é essa a nossa opinião", disse à Lusa João Alvim, presidente da APEL, que considera "errado" o "ponto de vista" da autarquia do Porto.

A associação suspendeu a edição de 2013 da Feira do Livro no Porto por "falta de condições financeiras", informou hoje a autarquia em comunicado.

João Alvim explicou que "a suspensão deveu-se, em primeiro lugar, a não haver nenhum entendimento com a câmara do Porto para a feira deste ano".

"Tendo chegado a um prazo limite para a possibilidade da execução, tivemos que dizer aos nossos associados que não era possível realizar a feira", disse.

Acrescentou que, apesar de a associação ter "alertado a câmara do Porto na feira do ano passado" que para a sua continuidade "era necessário que eles continuassem a apoiar", a autarquia entendeu "que a feira tem objetivos comerciais e fins lucrativos e portanto que não está disposta a continuar a dar o apoio".

A APEL defende, porém, que a feira tem um objetivo "de promover o livro e os autores" e que tais eventos "não são um meio de fazer grandes negócios de grande rentabilidade".

"As feiras têm horários extensos, obrigam a deslocação de pessoas, estadias. É todo um trabalho pesado que não é propriamente um fim lucrativo direto. Fundamentalmente pretende-se é uma animação grande à volta dos livros e dos autores", salientou o presidente.

Sobre o protocolo assinado com a câmara do Porto em 2009 para investimento nos equipamentos, João Alvim frisou que "os stands são peças que necessitam de melhorias e manutenção contínua e têm uma vida relativamente curta".

O responsável destacou também a "dinâmica muito grande" que existe com a Câmara de Lisboa que "decidiu que ia continuar a apoiar" a realização da Feira do Livro naquela cidade, ao contrário da relação "mais difícil" com a câmara do Porto.

"São posturas de entendimento diferentes. Quem entende que isto é meramente comercial e com fins lucrativos de facto, então se vamos olhar por esse prisma, a continuidade desta feira e de muitas outras não tem qualquer justificação",sublinhou.

Apesar de este ano já ser "muito tarde" para encontrar uma solução alternativa para a realização da Feira do Livro no Porto, João Alvim não tem dúvidas que aquele evento voltará a realizar-se na cidade "para o ano".

"Eu acho que a população do Norte fica toda a perder", lamentou.

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