Lego Batman, uma paródia feita de milhões de pecinhas

O segundo título com a chancela de animação da Warner Bros está nos cinemas portuguesas depois de estrear com sucesso nos EUA

Um sucesso nunca vem só. Depois de O Filme Lego (2014), a aventura dos famosos bonequinhos articulados estava destinada a alargar-se a outras construções animadas, de preferência, com vínculo a universos bem abastecidos de popularidade. Sabemos que a imaginação é o limite, e o lucro tem sempre perspetiva. Desta vez, o cenário e as peças ficaram mais escuros... Porquê? Digamos que as cores vivas e alegres do primeiro filme não fazem o estilo do novo protagonista. Aliás, é o próprio que se anuncia nesse registo, numa voz off de abertura: "Preto. Todos os grandes filmes começam com o ecrã preto."

Batman, herói irremediavelmente egocêntrico (que entrava no filme anterior como personagem secundária), deixa a assinatura desde o primeiro minuto, e a ação não se faz esperar: Joker, o grande inimigo do homem-morcego, está de volta para perturbar a ordem pública de Gotham City. Contudo, depois do confronto habitual, este fica muito perturbado com as palavras de Batman, que, do alto da sua orgulhosa solidão, diz não o reconhecer como o seu maior rival. Ora, Joker não pode admitir tal coisa. É desse "ódio-amor" que vive a dinâmica heroica da cidade. Sem demora, um esquema maléfico do boneco de cabelo verde é posto em marcha.

Entretanto, outras figuras vão agitar a vida pessoal do ídolo multimilionário, e o sossego funesto da sua mansão, onde vive só com Alfred, o mordomo: Robin, o pequeno órfão (tal como Batman), e Barbara Gordon, a nova justiceira, que dá um toque romântico ao enredo. Mas vão ser precisos mais reforços para combater o Joker... e eles são a Liga da Justiça.

Realizado por Chris Mckay, e com nada menos do que nove argumentistas, Lego Batman: O Filme põe então todas as pecinhas ao serviço desta narrativa instilada de energia, no intuito da preservação da ordem, e inesgotável em referências e chalaças acutilantes, entre elas, algumas dirigidas ao próprio marketing! Imagine-se que passam ainda poucos minutos do início, quando vemos Batman distribuir brindes da sua marca registada a um grupo de admiradores, que, não por acaso, são crianças órfãs...

Agradar os adultos

Quer pela euforia visual quer pelo efeito de desconstrução, tudo segue num tom que delicia miúdos e graúdos. Afinal, é essa a tática eficaz do atual mercado da animação, empenhado em criar filmes que sejam programas familiares: os mais pequenos divertem-se e os adultos não se aborrecem, porque têm uma panóplia de citações para se entreterem. Nesse aspeto, tal como o primeiro filme, Lego Batman tem uma história suficientemente maleável para convocar personagens que só ali aparecem para servir uma memória coletiva. De Voldemort à Bruxa Má do Oeste, passando por Drácula, Godzilla, King Kong ou os Gremlins, são muitos os vultos que animam o carnaval negro de Batman. Por outro lado, sente-se a falta dos valores mais humanos e cristalinos do filme de 2014.

Estreado nas versões original e dobrada, no elenco de vozes inglesas temos, entre outros, Will Arnett (Batman), Michael Cera (Robin), Rosario Dawson (Barbara) e Ralph Fiennes (Alfed, o mordomo). Pela mesma ordem, Pedro Bargado, André Raimundo, Benedita Pereira e Diogo Infante dão personalidade, pela voz, aos bonecos da versão portuguesa, que conta ainda com a participação de dois comediantes: o já regular Nuno Markl (Super-Homem) e Luís Franco-Bastos (Joker).

Com um orçamento de 80 milhões de dólares (mais 20 do que o anterior), Lego Batman conseguiu um dos melhores fins de semana de estreia deste início de ano nos EUA, no valor estimado de 55,6 milhões, ultrapassando As Cinquenta Sombras mais Negras e John Wick 2 (estreia por cá dia 23). E porque o êxito é um estímulo inevitável para a continuidade, quem sabe se daqui a uns anos não teremos mais adaptações DC Comics pela Lego do que heróis de carne e osso.

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