"Lear" abre a temporada do D. Maria II sem Eunice Muñoz

Tiago Rodrigues apresentou a programação no dia em que o secretário de Estado da Cultura anunciou a recondução do diretor artísticos para mais um mandato e a assinatura, para breve, de contratos plurianuais.

Tinha sido anunciada como uma das grandes apostas da próxima temporada do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa. E continua a sê-lo: Lear, a partir de Shakespeare, com encenação de Bruno Bravo e coprodução dos Primeiros Sintomas, é o espetáculo com que a 16 de setembro abre a temporada de 2017/18. Só que em vez de ter como protagonista a atriz Eunice Muñoz, o papel principal será interpretado por Paula Só.

"Ainda não é desta, com muita pena nossa, que teremos Eunice de volta ao palco do Teatro Nacional", afirmou o diretor artístico Tiago Rodrigues, hoje, na apresentação da programação. O encenador Bruno Bravo confirmou ao DN o afastamento de Eunice: "Foi uma decisão pacífica, da própria Eunice Muñoz, com a concordância minha e do Tiago". A decisão não tem a ver com quaisquer problemas graves de saúde, mas antes com o facto de a atriz, que tem já 88 anos, não se sentir capaz de um projeto de tamanha envergadura.

"Este era um risco que sabíamos desde o início que estávamos a correr", disse Bruno Bravo, explicando que o trabalho com a atriz já estava a decorrer há alguns meses mas que o grupo estava preparado para qualquer eventualidade: "O nome de Paula Só é uma primeira escolha", não é uma solução de recurso, sublinhou. Apesar de não subir ao palco, Eunice Muñoz prometeu continuar a acompanhar a produção, contou o encenador.

Com uma tradução nova de João Paulo Esteves da Silva e um elenco onde se encontram nomes como Ana Brandão, Carla Galvão, António Mortágua e Miguel Sopas, Lear vai estar no programa "Entrada Livre", nos dias 16 e 17 de setembro, que marca o arranque da nova temporada do Dona Maria II, ficando depois em cena até 15 de outubro.

Na programação apresentada por Tiago Rodrigues, destaque para Sopro, uma criação do próprio diretor que se estreia no próximo mês do Festival de Avignon e chega ao Rossio a 2 de novembro; Battlefield, a última criação de Peter Brook com Théâtre des Bouffes du Nord (23-24 de novembro), numa parceria do TNDMII com o Lisbon & Estoril Film Festival; O Grande Dia da Batalha, encenação de Jorge Silva Melo e produção dos Artistas Unidos, a partir de Máximo Gorki; o ciclo "Portugal em vias de extinção", com criações de, entre outros, Rui Catação e Victor Hugo Pontes; e uma trilogia de espetáculos da brasileira Christiane Jatahy.

Presente na conferência de imprensa, o secretário de Estado da Cultura, Miguel Honrado, tinha também duas novidades para dar, embora na verdade ambas fosse esperadas: por um lado, confirmou a recondução da administração do Teatro Nacional D. Maria II, liderada por Cláudia Belchior, e da direção artística de Tiago Rodrigues, para um mandato de mais três anos (o primeiro mandato terminal no final de 2017); por outro lado, anunciou que, tal como estava no programa do Governo, prevê ter "em breve" aprovados os contratos plurianuais do Estado com os teatros nacionais (D.Maria II, S. João e S.Carlos) e a Companhia Nacional de Bailado. Neste momento, os contratos já estão prontos e falta apenas "a assinatura das Finanças", pelo que o governante prevê que antes do verão eles possam ser efetivados.

Trata-se de uma medida há muito pedida pelos diretores destas estruturas e que permitirá uma estabilidade orçamental essencial para se trabalhar a longo prazo. Miguel Honrado sublinha ainda a importância deste instrumento também para que os teatros nacionais possam assumir desafios conjuntos.

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