La La Land - Melodia de Amor parece que já ganhou os Óscares

Com o anúncio dos nomeados aos Globos de Ouro e dos SAG há mais pistas sobre quais vão ser os indicados aos Óscares. Há algumas dúvidas, apesar de La La Land, de Damien Chazelle, se desenhar como o grande candidato

As ondas de entusiasmo de La La Land - Melodia de Amor (título para afastar muito público em Portugal) começaram no Festival de Veneza e nunca mais baixaram, antes pelo contrário. O principal filme desta temporada de prémios é daqueles casos que cria uma história de amor com todos aqueles que o veem. Um musical situado em Los Angeles entre os bastidores do cinema e dos bares de jazz e que mistura influências de Jacques Demy a Do Fundo do Coração, de Francis Ford Coppola. A obra do realizador Damien Chazelle, com Emma Stone e Ryan Gosling, que tem um consenso crítico americano impressionante, chega a Portugal em janeiro. Por agora, já depois de ter limpo os Critics Choice Wards (votados pelos críticos inscritos na Broadcast Film Critics)e o título de melhor filme pelos críticos de Nova Iorque e de Washington, viu a semana passada aumentar o seu favoritismo com a revelação da lista dos nomeados aos Golden Globes (atenção que os votantes da Associação de Imprensa Estrangeira não puderam votar em Silêncio, de Martin Scorsese, pois não lhes foi mostrado...).

La La Land é o filme que tem mais nomeações nos Golden Globes. Um vencedor mais do que anunciado. Quanto à Guilda dos atores, Emma Stone é uma das favoritas para a categoria de melhor atriz e , como seria de esperar, o homem que canta baixo, Ryan Gosling, também está nomeado. Aliás, o casal está também nomeado nos Golden Globes (é a terceira vez que são um casal em cinema depois de Força Anti-Crime e Amor, Estúpido e Louco) . A isto ainda se junta outro fator importante, a popularidade do filme junto ao público: os primeiros resultados de bilheteira são muito animadores.

Mas das nomeações aos Golden Globes não há surpresas de maior, a não ser a inclusão da comédia Deadpool, celebrado filme da Marvel que terá sido o mais espantoso sucesso do ano. Parece-nos sobretudo "caprichosa" a vaga para Ryan Reynolds como melhor ator na categoria musical/comédia. Ainda assim, a par de La La Land, outros dois filmes triunfaram com esta lista: Moonlight, de Barry Jenkins (finalmente adquirido para Portugal - será da NOS Audiovisuais) e Manchester By The Sea, obras com o maior número de nomeações depois do filme de Damian Chazelle.

Ficam de fora filmes com algum potencial de Óscar como O Milagre do Rio Hudson, de Clint Eastwood (sobretudo a nível de interpretações), Viver na Noite, filme de gangsters de Ben Affleck e a superlativa interpretação de Michael Shannon, em Animais Noturnos, ele sim a grande interpretação do filme....O próprio drama adolescente de Andrea Arnold, American Honey, revelou-se demasiado "indie" para os Globes (todavia, está pejado de nomeações para os Independent Spirit Awards, que no ano passado deram a glória a...O Caso Spotlight). Por fim, confirmaram-se os piores prognósticos para Billy Lynn"s Long Halftime Walk, de Ang Lee e O Nascimento de uma Nação, de Nate Parker - zero nomeações. Os membros de ambas estas duas instituições nada querem com filmes que ganharam um certo "hype" negativo. A Fox, estúdio destes dois desastres de bilheteira, anulou a estreia de ambos em Portugal.

Ainda dos Golden Globes podemos também descartar certas interpretações como potenciais nomeados aos Óscares. São as habituais excentricidades ou concessões dos Globes, como é o caso de Jonah Hill, em Os Traficantes; Lily Collins no fracasso de bilheteira Rules don"t Aply, de Warren Beatty; Hailee Steinfeld em The Edge os Seventeen ou Colin Farrell, em Lagosta.

Atrizes dividem

A grande clivagem entre os resultados destas nomeações e a da Screen Actors Guid (SAG) passa pela categoria das atrizes, facto que veio ainda trazer mais dúvidas para a competitividade. Por exemplo, nos Globos houve um bom senso de nomear atrizes como a francesa Isabelle Huppert, em Ela ou Annette Benning em Mulheres do Século XX, coisa que não sucedeu na categoria de melhor atriz nos SAG (cada vez mais, a nível de atores, o mais fiável indicador do gosto da Academia), onde Emily Blunt apareceu de surpresa no horrendo A Rapariga no Comboio.

Em ambas as listas, o efeito contrário à supressão de atores e filmes negros, nota-se. Moonlight, Vedações e Loving são filmes de cineastas afroamericanos ou com tema racial. Nas interpretações, Ruth Negga (algo exagerada a sua inclusão, será a tal quota?) em Loving, Octavia Spencer em Elementos Secretos, Viola Davis e Denzel Washington em Vedações; Naomie Harris e Mahershala Ali em Moonlight e, se quisermos ser mais multiculturalistas, Dev Patel, ator de origem indiana, também está nomeado em Lion- A Longa Estrada para Casa, obra que quer nos Golden Globes, quer nos SAG deve ter carimbado a sua nomeação aos Óscares. O mesmo raciocínio deve e poderá ser feito para Hell or High Water, de David Mackenzie.

Resumidas as coisas, Annette Bening continua a ter muitas hipóteses para os Óscares, mas Emma Stone, Meryl Streep, Amy Adams, Ruth Negga e Jessica Chastain também estão muito bem lançadas (Isabelle Huppert terá perdido algum terreno...). Nos atores, o favorito óbvio é Casey Affleck mas é quase certo que Andrew Garfield (em O Herói de Hacksaw Ridge ou em Silêncio), Joel Edgerton, Viggo Mortensen, Ryan Gosling ou Denzel Washington ocupem as outras vagas. É caso para se dizer que já houve anos com interpretações bem mais evidentes...

Nas interpretações secundárias, Nicole Kidman, Octavia Spencer, Michelle Williams, Naomi Harris e Viola Davis são as eleitas das duas listas, enquanto no sexo oposto os repetentes são Jeff Bridges, Mahershala Ali, Lucas Hedges, Hugh Grant e Dev Patel. O caso de Grant é um pouco estranho, pois nos Globes está como ator principal em Uma Diva Fora do Tom, mas nos SAG aparece no real registo de secundário. Critérios...

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