Julia Roberts: a atriz que nunda deixou de ser rainha de Hollywood

De regresso ao grande ecrã depois de "Money Monster", Julia Roberts reafirma o estatuto de namorada da América.

Desde os anos 1980 que o nome de Julia Roberts entrou no imaginário popular. Estamos em 2017 e o enorme sucesso de bilheteira de Wonder - Encantador vem reafirmar o seu estatuto como eterna namorada da América, mesmo no momento em que a sua imagem esteja agora mais ligada a um ideal de maternidade. Aos 50 anos não precisou de se reinventar para continuar a ser das atrizes mais populares do cinema mainstream americano. O carisma, a gargalhada espontânea, continuam incólumes.

De certa forma, Roberts sabe que não precisa de provar mais nada a ninguém. Ao longo destes anos é talvez a única estrela de Hollywood que nunca teve os chamados períodos de seca. Continua a conseguir escolher os projetos que lhe interessam e continua também a gerir um percurso único. Para já, não ficou presa às comédias românticas e soube sobretudo encontrar registos de variedade temática. Um Óscar e quatro nomeações são um belíssimo cartão-de-visita mas nada lhe tira o mérito de ter conseguido trabalhar com nomes míticos do cinema, de Robert Altman a Jodie Foster, passando por Mike Nichols, Alan J. Pakula, Steven Spielberg, Steven Soderbergh, Stephen Frears ou Woody Allen.

Depois, conta também muito o seu feitio. Esta rainha de Hollywood não é muito amiga dos filtros. Diz o que lhe passa na cabeça e nunca evita a sua gargalhada estridente, mesmo quando não está particularmente bem-disposta. Reza a lenda que é mais disponível para os jornalistas do sexo masculino, mas quando a vimos na passadeira vermelha de Cannes, quando apresentou Money Monster (2016), de Jodie Foster, era imperial a desfilar e a responder às perguntas dos jornalistas. Há nela uma confiança transbordante.

Nos últimos anos, tem apostado num equilíbrio perfeito de cinema de grande estúdio com apostas em projetos independentes de prestígio. Nem tudo o que tem feito é bom cinema, é verdade, mas mesmo os filmes mais débeis costumam funcionar financeiramente. Comer Orar Amar, de Ryan Murphy, é disso um bom exemplo. O filme era intragável mas Roberts transbordava em carisma e houve um movimento de simpatia em seu torno. Sem ela, não funcionaria.

A última nomeação ao Óscar foi através de Um Quente Agosto, de John Wells, onde literalmente enfrentava uma imensa Meryl Streep. Passava uma imagem de mulher forte, obstinada. Aliás, uma interpretação que transmitia uma força íntima muito próxima da sua “persona”, tal como já era o furacão de mulher que compôs em Erin Brockovich, de Steven Soderbergh, filme que lhe deu o Óscar, em 2001.

Em Ben is Back, de Peter Hedges, o seu próximo projeto, volta a interpretar uma mãe, neste caso de um jovem adulto problemático. Mais do que nunca, Hollywood parece ter descoberto uma voraz mãe coragem. Estão longe os anos 1980 quando surgia leve e efusiva como portuguesa em Pizza, Amor e Fantasia, a comédia de Donald Petrie que a lançou para a fama.

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