Jardim de Verão: o mosaico estival que mostra a Gulbenkian

Até 20 de julho, a fundação apresenta um cartaz diversificado e ambicioso para cativar um público mais amplo. Jane Birkin vem cantar Gainsbourg mas há muito mais...

O programa cheira a flores e a longas tardes na relva. O Jardim de Verão, que hoje regressa à Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, apresenta concertos, filmes, leituras encenadas num programa com um bloco generoso dedicado ao impacto da I Grande Guerra na cultura em Portugal. Rui Vieira Nery, um dos programadores da iniciativa, usa uma linguagem tecnológica para caracterizar esta oferta estival: "a ideia é ser um programa de banda larga para um público muito amplo, diversificado, também para cruzar públicos. E é uma forma de demonstrar a diversidade e a contemporaneidade da intervenção da Gulbenkian".

Até 20 de julho - dia do Fundador, Calouste Sarkis Gulbenkian - há ainda mais que fazer na Fundação. "Não há um tema central mas há uma espécie de um mosaico que nós vamos construindo com propostas diferentes nos vários campos artísticos", refere.

O Jardim de Verão apresenta um ciclo de músicas lusófonas, este fim de semana com Roberta de Sá, do Brasil (sábado) e Mayra Andrade, de Cabo Verde (domingo), Eneida Marta, da Guiné Bissau (15 de julho), e Bonga, de Angola (30 de junho). Este é um dos momentos da programação que Rui Vieira Nery não quer perder e destaca, ainda, o concerto do Coro Lisboa Cantat (1 de julho) que vai fazer a integral das Canções Heroicas de Fernando Lopes Graça. "Ouvimos falar muito das Heroicas do Lopes Graça mas raras vezes temos ocasião de as ouvir na versão original e são um marco da cultura portuguesa", aponta. Este concerto, no anfiteatro ao ar livre, é um dos que tem entrada gratuita (mediante levantamento de bilhete no próprio dia).

Um dos momentos fortes do cartaz, é o concerto de Jane Birkin com a Orquestra Gulbenkian, todo dedicado à obra do Serge Gainsbourg. São "aquelas canções mais emblemáticas da Jane Birkin, La Chanson de Prévert, La Javanaise, as grandes canções do Serge Gainsbourg na voz da musa dele e da intérprete preferencial dele" sublinha o musicólogo que tem "muita curiosidade" de ouvir Jane Birkin. "Ouvi gravações recentes de concertos dela com orquestra e fiquei muito impressionado porque é uma voz muito frágil mas muito eficaz, muito expressiva", diz-nos.

A segunda edição de Jardim de Verão detém-se na I Guerra Mundial. No centenário, a fundação junta a esta programação uma série de iniciativas associadas à participação de Portugal no conflito. Uma conferência internacional e uma exposição - E Tudo se Desmorona: Impactos Culturais da Grande Guerra em Portugal, comissariada por Pedro Oliveira. "Têm havido muitas iniciativas de debate e estudo sobre a guerra mas sobretudo numa lógica militar ou da história política mas aqui interessa-nos perceber como é que a guerra afetou a vida cultural e o quotidiano dos portugueses, como é que mudou as ideias, como é que acabou por preparar as roturas da Primeira República" explica Nery. Uma das três leituras encenadas a partir de textos portugueses é precisamente sobre este tema: Pra Um País Tão Pequeno, leitura de fados e números de revista alusivos à I Guerra Mundial , com encenação de Tiago Torres da Silva.

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