Ir ao festival para pintar umas paredes

Durante a tarde, galeria Underdogs promoveu workshops de arte urbana

Ruben e Constança nunca tinham pegado numa lata para pintar uma parede. Foi preciso virem ao festival Super Bock Super Rock, a sonhar com os concertos de The National e Disclosure, para terem a sua experiência "radical". "Aconteceu por acaso", conta Ruben, de 18 anos, enquanto mostra o mural que fez com o artista Gonçalo MAR e mais um grupo de amigos: uma mão, com os dedos indicador e mindinho esticado, de quem está a rockar.

Assim que chegaram ao festival, uma amiga falou-lhes do workshop promovido durante a tarde pela galeria de arte Underdogs na plateia da Meo Arena e como ainda faltava muito tempo para os primeiros concertos e estava tanto calor decidiram experimentar. "Foi muito fixe", acrescenta Constança, de 16 anos. "Parece fácil mas é muito difícil pintar com spray. É preciso muita técnica."
MAR, graffiter com 20 anos de experiência, ensinou-lhes o básico. Como segurar na lata, como "atacar a parede", como desenhar as letras. "Eles começaram a medo. É preciso quebrar as barreiras e ganhar à vontade para pintar", explica MAR, que ainda se lembra dos seus primeiros tempos como graffiter, quando "era tudo ilegal, feito à noite, a correr" e de como tanta coisa teve que evoluir para agora ser convidado por vários festivais para fazer workshops e tentar "semear este sentido estético numa camada mais jovem".

Em apenas três horas (das 16.00 às 19.00), três artistas trabalharam em três painéis diferentes com os jovens que ali apareceram. Se MAR, usou spray para fazer os seus desenhos coloridos sobressaírem do fundo preto, Kruella d'Enfer trabalhou um desenho mais geométrico que ocupou todo o painel, e, na outra ponta do pavilhão, Emanuel e Mariana, a dupla que compõe o Halfstudio, trabalhou o desenho de letras, com uma técnica mais complicada, que começa com o desenho das palavras a carvão, depois projetadas na parede e, finalmente, preenchidas com têmpora. "Nunca imaginei que fosse assim. Foi uma descoberta", comentam Sara e Viviane, duas amigas de 15 e 16 anos, e chapéus de palha na cabeça, oferecidos por um patrocinador logo à entrada do pavilhão.

Ali dentro não é preciso usar chapéu. Se há sítio onde não se sente a brasa da tarde é dentro daquele pavilhão que já foi atlântico. Ainda está quase vazio mas já há um grupo de persistentes fãs abancados junto ao palco. Vão ficar aqui, no escuro a tarde toda? "Claro", responde Clara, 16 anos, que veio ao Super Bock Super Rock com a prima Susana. "Viemos para ver os grupos deste palco, é o que nos interessa. Por isso vamos ficar aqui." E aproveitam para ir dando uma vista de olhos aos aprendizes de artistas urbanos.

No seu mural, os graffiters escreveram os nomes de três músicas dos três grupos que vão atuar no palco Super Bock: "Latch", dos Disclosure, "Lost Love", dos The Temper Trap, e "I Need a Girl", dos The National. "Mas já sabemos que está errado", apressa-se a explicar Emanuel. "Houve um fã que nos veio avisar que é I Need My Girl, mas agora já está...." Agora já são quase sete horas, é tempo de guardar os painéis e deixar entrar as senhoras da limpeza que vão passar as esfregonas e fazer desaparecer dali os restos de tina. Sexta e sábado, os graffiters vão estar aqui de novo, para novos workshops.

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