Ingrid é a única que conhece os gostos e as manias das estrelas

Ingrid Berger, 60 anos, é uma das mais invisíveis e essenciais peças da organização. É diretora de camarins: a responsável por atender a todos os pedidos, estranhos ou não, dos artistas. Até se tornar amiga deles

"Nada de especial", responde Ingrid Berger quando lhe perguntam sobre os pedidos das estrelas, como se não se deixar surpreender fosse requisito obrigatório para desempenhar a função de diretora de camarins, o seu trabalho na organização do Rock in Rio. Começou a acompanhar artistas em 2000 e só não esteve na primeira edição deste festival, em 2004. É ela que está a preparar o camarim decorado em tons de preto para Bruce Springsteen e em branco para a sua mulher, Patti Scialfa.

Os concertos no Parque da Bela Vista começam hoje, mas a produtora brasileira, 60 anos ("mas pode pôr 48"), já está em Lisboa há dois meses. Instala-se de dois em dois anos, mas a rotina repete-se. "Alugo sempre o mesmo apartamento, adoro Lisboa, me sinto em casa, vou aos mesmos sítios, tenho os mesmos fornecedores..."

Mas... e as exigências das estrelas? "Gostam do orgânico e natural, muitos são veganos. Todos estão mais saudáveis, mas nós também", comenta a diretora de camarins.

Já trabalhou no festival criado por Roberto Medina há 30 anos em Portugal, no Rio de Janeiro, em Madrid (onde viveu um ano para preparar o evento) e em Las Vegas. Quando não está ao serviço do Rock in Rio, acompanha outras bandas internacionais. Falhou, por exemplo, o primeiro concerto dos Rolling Stones em Cuba, por andar na estrada com os Iron Maiden.

Dos artistas que vêm a Portugal, diz-se curiosa para conhecer Ariana Grande. Os membros dos Maroon 5 são "fantásticos", os Queen "são muito gentis, gentlemen, superfáceis de trabalhar". E Ivete Sangalo já é mais do que trabalho. "Ivete é minha amiga."

"Somos uma família no Rock in Rio" e, garante, "dentro do padrão Rock in Rio, em que não posso fazer camarins rosa pink nem verde-limão, há total liberdade". "Cada um no seu quadrado", garante a diretora, durante uma visita guiada aos camarins do festival, aquela zona a que só ela e a sua equipa de dez pessoas, têm acesso direto.

O staff também é quase sempre o mesmo, contratado por cá, exceto duas pessoas: as filhas de Ingrid, Ivy e Stephanie, de 21 e 26 anos, que também já estão no negócio de acolher os artistas. Nesta edição, porém, só a mais nova estará presente.

Diz que todos os dias arrasta móveis e prepara caixas com os pedidos que os grupos e a sua entourage lhe fizeram chegar. "Como a gente tem uma lista grande, monto um mercadinho e está tudo ali exposto, mas há sempre imprevistos, como "esmalte de unha" [verniz de unhas]. E uma lista de contactos sempre à mão: fisioterapeuta, massagista, cabeleireiro... "O dia está pronto, mas a partir do momento em que eles chegam muda tudo", admite.

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