Harry Potter é um homem de meia-idade. E o fenómeno continua

Cerca de três mil pessoas esperaram este sábado à noite na livraria Lello para receber em mãos o último livro

"Tenho aquele mundo na minha cabeça durante o tempo todo", disse recentemente J.K. Rowling ao The Guardian. Hoje é o dia do seu aniversário, assim como da sua maior criação, e protagonista desse "mundo": Harry Potter. Cerca de três mil pessoas esperavam ontem à porta da Livraria Lello por entre atores que representavam personagens da saga, uma coruja que se assemelhava a Hedwig, a do próprio Harry, e alpinistas que trepavam à agora restaurada fachada da histórica livraria do Porto. O motivo: à meia-noite, em todo o mundo os fãs recebiam, em festa e em mãos, o livro Harry Potter and The Cursed Child.

A Lello preparou 5800 exemplares para venda e, 15 minutos antes da meia-noite, ainda havia cerca de 500 pessoas à espera para comprar o oitavo livro da saga que terminara em 2007 com Harry Potter e os Talismãs da Morte.

Mas há diferenças: se a geração que cresceu a ler os livros de Harry Potter, e que agora terá entre 25 e 30 anos, se voltar a mobilizar, chegará com falta de sono já não à escola mas ao trabalho, e agora por ler uma peça de teatro. E outra grande diferença: o texto não é assinado por Rowling, mas pelo dramaturgo Jack Thorne, ao lado do encenador da peça John Tiffany e da própria Rowling. A peça Harry Potter and The Cursed Child - Parts I and II, que tem desde hoje o texto editado (apenas em inglês), estreou-se também ontem no palco do Palace Theatre, em Londres.

Rowling avisou na estreia que esta peça não é um recomeço de uma nova série de histórias em torno de Harry Potter. "Não. Não. Ele vai numa longa viagem ao longo destas duas peças e depois, sim, penso que terminámos." A escritora acrescentaria ainda à Reuters: "Agora o Harry acabou."

Está esgotada até maio de 2017 e logo no começo bateu recordes: em 24 horas, 175 mil bilhetes foram vendidos. Na próxima quinta-feira, 250 mil bilhetes serão postos à venda, avançou ontem o The New York Times, para que até dezembro ainda mais pessoas possam assistir à peça que tem estado envolta em silêncio por parte dos espectadores. Em solidariedade com os milhões que não podem ver a peça, as palavras de ordem oficiais têm sido keep the secrets, gesto pedido (e já aplaudido) pela própria Rowling.

A peça nasceu no momento em que Rowling concordou com a ideia dos produtores, Sonia Friedman e Colin Callender. Harry Potter and The Cursed Child (Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, em tradução livre) começa dezanove anos depois de Harry Potter e os Talismãs da Morte: Harry, agora um homem de meia-idade, casado com Ginny Weasley, é pai de três filhos e funcionário no Ministério da Magia. Despede-se do filho do meio, Albus Severus Potter, que parte para Hogwarts, a escola onde o próprio Potter se formou. "É muito óbvio naquele epílogo que a personagem em que eu estava mais interessada era Albus Severus Potter", afirmou Rowling.

A livraria britânica Barnes & Noble afirma que este foi o livro mais vendido em pré-venda desde Harry Potter e os Talismãs da Morte. Na Amazon, o livro tem estado no top de vendas, ou muito perto dele, desde o seu anúncio, em fevereiro. Espera-se que seja o mais vendido do ano.

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