Filmes estrangeiros sem Elle nem Cartas da Guerra

Trabalho de Ivo M. Ferreira e Elle, de Paul Verhoeven, não chegaram à última das listas dos filmes em língua estrangeira

O anúncio da Academia de Hollywood com a shortlist dos nove filmes estrangeiros deixou muita gente de boca aberta. Até ao final de janeiro, altura em que saberemos todas as nomeações, vamos perceber qual destes nove filmes ocupam as cinco vagas. Para já são estes os títulos: A Minha Vida como Courgette, de Claude Barras (Suíça); Toni Erdmann , de Mare Ande (Alemanha); Paradise, de Andrei Konchalovsky; Tanna, de Bentley Dean e Martin Butler; Tão Só o Fim do Mundo, de Xavier Dolan (Canadá); Land of Mine- Martin Zanvdliet (Dinamarca); O Vendedor, de Asghar Farahadi; The King"s Choice, de Erik Poppe (Noruega) e A Man Called Love, de Hannes Holm (Suécia).

Uma lista que, como se previa, não inclui Cartas da Guerra, de Ivo M. Ferreira, o pré-candidato nacional. Mas a grande surpresa é o esquecimento em torno de Ela, de Paul Verhoeven, que estava a representar a França. Uma surpresa que fica maior se tivermos em conta que o filme está nomeado aos Golden Globes e que é apenas o título com melhores críticas do ano. A campanha dos franceses era tão forte que no último mês Verhoeven e Isabelle Huppert passaram grande parte do seu tempo em Los Angeles em ações promocionais.

O outro ausente que espantou o mundo é Neruda, de Pablo Larraín, o representante do Chile. O anti-biopic do poeta Pablo Neruda era outro dos filmes favoritos e que desde Cannes ganhou um grande fôlego mediático. A sua distribuidora nos EUA acreditava tanto na nomeação que escolheu precisamente esta semana para a sua estreia. Menos escandalosa é a ausência de Espanha, com Julieta, de Pedro Almodóvar - era um título longe do consenso.

Desta forma, Toni Erdmann, de Maren Ade, assume-se como o filme de maior nomeada deste lote - só um escândalo o fará ser posto de parte da lista final. Esta comédia alemã sobre comportamentos sociais e laborais, passou ontem em Lisboa na presença do ator, Peter Simonischek, num antestreia para celebrar o prémio Lux de Cinema do Parlamento Europeu, que venceu este ano. A par de Ela, de Paul Verhoeven, é a obra com maior consenso crítico.

O melhor filme destes nove é porventura O Vendedor, do realizador de Uma Separação. Cinema iraniano para nos fazer um exame moral agudo. Uma obra sobre a reposição da verdade que tem estreia marcada em Portugal neste natal. Foi duplamente premiado no Festival de Cannes - prémio de argumento e ator.

Os portugueses já viram Tão Só o Fim do Mundo, de Xavier Dolan, o grande prémio de Cannes deste ano. De Cannes são três filmes que competiram para a Palma de Ouro que estão nesta lista. A Man Called Love e The King"s Choice são também filmes já adquiridos para o nosso mercado.

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