Filme de Scorsese sobre padres portugueses em estreia no Vaticano

Andrew Garfield e Adam Driver interpretam os dois jesuítas em busca do mentor, papel interpretado por Liam Neeson.

Sem passadeira vermelha nem aparato mediático. Assim deverá ser a estreia mundial de Silêncio, de Martin Scorsese, amanhã, no Vaticano. O Papa Francisco não deverá estar presente, avança o jornal britânico The Guardian, mas o realizador norte-americano tem assegurada a companhia de 400 padres na apresentação deste projeto iniciado há 27 anos.

Apontado como a última parte da trilogia de "filmes religiosos" iniciada com A Última Tentação de Cristo (1988) e Kundun (1997), Silêncio conta a história de dois padres jesuítas portugueses no Japão, no século XVII, altura em que o cristianismo era proibido naquele país.

Depois de muitas dúvidas sobre se estaria pronto a tempo de entrar na corrida aos Óscares de 2017, o primeiro trailer foi divulgado na última terça-feira e a estreia em Portugal está marcada para 29 de dezembro, uma semana depois de se apresentar nas salas norte-americanas.

Baseado no romance homónimo de Shusako Endo (de 1966), este é o relato das aventuras e desventuras de dois padres jesuítas portugueses, Sebastião Rodrigues e Francisco Garrpe - interpretados por Andrew Garfield e Adam Driver - cuja fé é posta à prova durante a busca do mentor desaparecido, Cristóvão Ferreira (Liam Neeson).

Face à perseguição religiosa, que apenas terminou em 1873, Ferreira parece ter renunciado à fé cristã através da participação num ritual conhecido como fumie durante o qual os cristãos eram forçados a pisar um símbolo cristão como sinal de renegação da fé cristã. Durante o filme, com uma duração de 159 minutos, os dois jovens padres acabam por ser colocados na mesma situação que Ferreira.

Martin Scorsese leu o romance de Endo em 1989, um ano depois da estreia do seu tão contestado filme A Última Tentação de Cristo, que chegou a ser proibido em alguns países. Várias dificuldades foram adiando este projeto até que no ano passado as filmagens foram para o terreno, em Taiwan. Como consultor, Scorsese teve a seu lado o padre James Martin e os protagonistas fizeram um retiro de sete dias num centro espiritual jesuíta no Norte do País de Gales para se prepararem para as suas personagens.

Esta não é a primeira vez que o Vaticano acolhe a estreia mundial de filmes relacionados com a religião cristã. O biopic sobre o atual Papa, Chamem-Me Francisco, de Danielle Luchetti, estreou-se no Vaticano em dezembro de 2015, bem como Invencível, a história de um prisioneiro de guerra realizado por Angelina Jolie, e Spotlight, de Tom McCarthy, sobre abusos sexuais de crianças por padres católicos.

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