Feliz e contente, homenagem de Herman a Nicolau

Pouco mais de um ano após o desaparecimento do ator, Herman José, que com ele deu os primeiros passos no teatro e na televisão, reúne os amigos mais próximos e lembra o seu legado. Na televisão, no cinema, na vida.

Sempre feliz e contente. O final do genérico de Cá por Casa, o programa de entretenimento de Herman José, na RTP, é já "um piscar olho" a Nicolau Breyner, desaparecido a 14 de março de 2016, mas, nesta quarta-feira, o programa é-lhe inteiramente dedicado, a partir dos testemunhos daqueles que o conheceram, a começar pelo anfitrião.

"Parece completamente justo a ideia de dedicar o último programa desta série ao Nicolau", conta Herman José, antes da gravação do programa (regressa em outubro), explicando que a paternidade da ideia é da produtora. "Eu aderi completamente." E acrescenta: "Não queria fazer um programa pesado, saudoso e laudatório. Queria um programa que o Nicolau, se estivesse em casa, se divertisse a ver."

Há risos e histórias, memórias e quase arqueologia televisiva. Dos arquivos da RTP saiu, para esta ocasião, um sketch de Nicolau Breyner e Eunice Muñoz e fotografias antigas que decoram as paredes desta casa improvisada que é Cá por Casa.

Uma delas foi cedida por Mafalda Bessa, resgatada entre o caos do ator de televisão, teatro e cinema, humorista, produtor, realizador, diretor de atores e argumentista (escreveu, por exemplo, a primeira telenovela portuguesa, Vila Faia). "Ele não ligava nenhuma, não há papéis, ele não queria saber das capas dos discos, discos que gravou com o Vinicius de Moraes", constata a última mulher do artista.

O encontro com o músico brasileiro com Nico, que tinha formação em canto lírico, também é evocado no programa. António Zambujo, alentejano como Nicolau Breyner, vai cantar uma música de Vinicius de Moraes, "amigo de copos de Nicolau". "Faziam umas tertúlias em que no dia seguinte já não se lembravam do que tinham feito, que é uma coisa que já não existe."

Os convidados são boa amostra das muitas áreas do audiovisual em que Nicolau Breyner trabalhou. António-Pedro Vasconcelos dirigiu-o no cinema (Os Imortais, por exemplo) e também na RTP, no programa Cantigamente, para o qual Nicolau Breyner convidou um inexperiente Herman José para uma pequena participação. Conheceram-se em 1973, quando Herman se estreou como músico numa revista. "Ele gostava de mim, revia-se na minha educação e no meu humor. Eu olhava para ele como um pai. Eu tinha 20 e ele 33 ou 34. Tive sempre gratidão e respeito." A dupla televisiva começa em 1975 e percorreu o país com espetáculos ao vivo.

No programa, recuperam para os dias de hoje o espírito de Senhor Feliz e Senhor Contente. "Só que eu faço dele e a Rueff faz de mim", diz Herman, autor da letra. Fátima, futebol, fado, Cristiano Ronaldo... Ao estilo do que fariam Ary dos Santos e César Oliveira, se ainda estivessem vivos."

Maria Rueff contracenou com Nicolau Breyner na telenovela Vingança (SIC), produzida por Teresa Guilherme. Sílvia Rizzo estreou-se como atriz quando Nicolau Breyner dirigia Roseira Brava (RTP). Felipa Garnel tornou-se conhecida dos portugueses como Pipinha, graças ao petit nom que Nico lhe deu. Conheceram-se antes, quando a ex-diretora da revista Lux participou na série Homens da Segurança, protagonizada por Nicolau Breyner e Tozé Martinho. "Teve o mérito de me fazer perceber o que não queria, ser atriz", ri-se. Ficou a amizade. "Não há dia em que não me lembre dele, no carro muitas vezes. Telefonávamos quase todos os dias."

"Uma coisa que nos une a todos é pensarmos que um dia destes nos vamos cruzar com ele", afirma Herman José. "Ele era o tipo de personalidade que, de repente, a gente deixa de ver durante dois meses, e depois tropeça nele num sítio qualquer, estamos sempre à espera de o encontrar."

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