Feira do Livro está mesmo maior (e mais bonita)

O que diziam desta 87ª edição da Feira do Livro de Lisboa não era propaganda. Visite e veja as diferenças.

A inauguração oficial da 87ª edição da Feira do Livro de Lisboa foi este ano atropelada duas vezes antes da verdadeira sessão que costuma abrir as portas do evento aos leitores. Isto porque se ontem marcaram presença as individualidades devidas que declaram aberta a maior Feira de sempre na capital, no entanto antes já a inevitável presença do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa se tinha verificado na véspera durante uma exaustiva visita, pode mesmo dizer-se inspeção, pois o governante parou na maioria dos stands, viu a "mercadoria" e conversou com todos; e antes do que é normal todos os anos, desta vez a Feira abriu as portas logo de manhã para receber centenas de crianças e fazer do mundo dos livros a principal mensagem para o Dia Mundial da Criança.

Esses atropelos, contudo, não fizeram mossa à cerimónia, pois essa estava guardada para o discurso de João Amaral, o presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), que perante as autoridades da Capital e da Cultura criticou a falta de respeito do Estado à atividade do setor ao afirmar que os "editores e livreiros não pedem benesses ao Estado", mas gostariam que houvesse "respeito pelo seu papel relevante na economia nacional e designadamente no setor da Cultura, onde as editoras são o maior empregador". Aproveitando a presença do ministro Luís Filipe Castro Mendes na sessão, pediu-lhe diretamente em nome dos editores e livreiros que se mantivesse atento aos perigos que colocam em causa o setor.

Aliás, o ministro da Cultura teve ainda outra interpelação de João Amaral, pois este citou uns versos de Castro Mendes sobre uma anterior edição Feira: "Chove na Feira do Livro / E um amigo diz-me / este já não é o meu tempo". Uma memória que o ministro explicou depois ao DN ser de uma época em que a iniciativa estava menos interessante, ao que a mulher acrescentou que refletia também a "melancolia de um estrangeirado".

O ministro lamentou publicamente a morte do escritor Armando da Silva Carvalho ontem anunciada, após invocar tudo o que iria ficar disponível para os leitores durante os próximos 17 dias, confessando que ele próprio voltará para "ver os livros que queremos levar para casa e rever os livros que já lemos".

Agradeceu ao autarca de Lisboa, Fernando Medina, a colaboração da Câmara de Lisboa para que a Feira do Livro continue a existir. Medina já antes tinha referido essa situação através de uma "parábola", a de que na sessão de abertura de há quinze anos provavelmente se teria questionado se em 2017 ainda existiria esta iniciativa devido à invasão do digital. Não fugiu ao tema da "complexidade do mundo do livro", nem de forçar a nota sobre a assinatura de um acordo para os próximos três anos com os organizadores da Feira do Livro de Lisboa. O autarca aproveitou para promover as Festas de Lisboa que se avizinham ao dizer que todos os anos a Feira iniciam os festejos da cidade e a partida para férias, levando a mala cheia de livros ali comprados todos os anos.

Melhorias saltam à vista

Diga-se que a Feira do Livro de Lisboa está diferente. Mesmo quem não queira olhar para a envolvência acaba por reparar que os stands das editoras estão mais bonitos, pois deixaram de ser numa cor única e passaram a ter ilustrações.

Outra das novidades que a dado momento se repara é que a 87ª edição da Feira do Livro está maior em dimensão. O leitor anda e quando chegava a hora em que virava para o outro lado, cruzando o Parque Eduardo VII para descer pela ala com outras editoras isso já não acontece. É que a Feira cresceu quase até ao Pirilau esculpido por João Cutileiro no topo do Parque...

No meio de todas estas novidades, nem se repara na invasão de comes e bebes que tem vindo a tornar as últimas feiras num misto de parque de diversões com livros à mistura. Desta vez, devido à decoração dos stands e uma arquitetura de ocupação de espaços melhorada, os livros não ficam amesquinhados.

Se até ao ano passado só existiam as praças dos grandes grupos editoriais, o da Leya e da Porto, bem como um grande espaço para a Editorial Presença, este ano surge o grupo 20/20 com o seu próprio. O que calha bem pois no fim de semana de 10 e 11 estará ali a dar autógrafos a escritora Paula Hawkins, a autora de A Rapariga no Comboio, que vem promover o seu novo romance. Não faltarão outros autores, como é o caso da Praça Leya, por onde este fim de semana passarão noventa autores num espaço renovado para facilitar o contacto com os leitores.

Entre os editores que ontem circulavam pela Feira do Livro estava João Rodrigues, que nesta 87ª edição celebra dez anos da sua editora Sextante e 30 como editor. Ou seja, diz, "esta Feira é comemorativa para mim", até porque um dos livros que editou, O Arquipélago de Gulag, de Soljenitsin, já vai chegar na segunda edição quando chegar à Feira.

Na editora O Gatafunho, Ana Paula alinhava as obras, na maioria de ilustradores, após os leitores entrarem no stand e pegarem nos exemplares. Como era o caso de Marisa, uma leitora que ontem já comprara cinco livros: "A maioria são clássicos que eu procurava". Explicou também que não pensava voltar à Feira: "Começo a comprar livros e não paro mais."

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