Escultor, 48 anos e um trabalho de sonho: construir legos

Erik Varszegi ganha a vida a construir modelos para a famosa empresa dinamarquesa. Tudo começou com um anúncio num jornal há 25 anos.

Erik Varszegi tem 48 anos e um trabalho que muitos, adultos e crianças, consideram de sonho: construir legos. É assim há 21 anos e tudo começou com um anúncio no jornal que a mulher encontrou no jornal.

Foi a mulher que descobriu o trabalho: montar modelos da célebre marca de origem dinamarquesa na sede da companhia nos EUA, em Enfield, uma cidade do Connecticut, onde viviam. Era o início dos anos 90 do século passado e Varszegi era gerente de uma loja de discos e vídeos. Tinha estudado escultura e design na universidade comunitária do Estado. Não ficou. Mas no verão seguinte, foi chamado.

Foi o verão em que construiu centenas de modelos de um castelo da coleção Lego que estava nas lojas Toys-R-Us, uma das suas funções como construtor de modelos. Diz que ainda conseguiria construir estes castelos sem olhar para as instruções. Hoje, é mais do que isso. Cria os próprios modelos. Entre eles, o que mais peças usou: os cinco milhões de "tijolinhos" de Star Wars X-Wing.

Existem atualmente três campus Lego no mundo. Cada um com a sua função. Na sede da empresa, em Billund, na Dinamarca, criam os kits vendidos em caixas. Na República Checa fazem os modelos massificados que enfeitam os pontos de venda. Nos EUA, criam e constroem modelos únicos, de larga escala.

Qualquer uma destas construções de milhares de blocos demora entre 60 a cem horas a desenhar; e requer uma equipa de pelo menos duas pessoas para construir o modelo, entre cem a 350 horas.

Um modelo complexo pode demorar 10 dias a ser construído

Antes de pôr mãos à obra, qualquer obra, é necessário desenhar o modelo. Os maiores, explica Erik Varszegi, são feitos com recurso ao software BlockBuilder, inventado de propósito para a Lego. Mas, acrescenta o construtor, nos modelos mais pequenos, ainda é mais rápido usar lápis e papel. Não um papel qualquer, nem sequer quadriculado, mas feito à medida dos famosos blocos nascidos em 1932.

"Toda a gente pensa que os construtores principais são engenheiros ou arquitetos", diz Varszegi. "Temos pessoas com essas qualificações, [mas] vejo o Lego mais como um suporte artístico", explica. É preciso saber matemática e saber de cor conceitos de Física como escala e capacidade de carga, mas o principal é sentido estético", afiança.

E, ao contrário do que se possa imaginar, não é preciso ter passado a infância a encaixar tijolinhos. Erik Varszegi era, em vez disso, um fervoroso desenhador e "devorador" de banda desenhada, confessou à Quartz. Quem quiser ser construtor de legos profissional tem de ter essas habilitações e paciência. Há poucas vagas para muitos interessados. E não se deve desistir. "Andamos sempre à procura de bons construtores."

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