Encenando uma peregrinação a Fátima

"Fátima", João Canijo

João Canijo terá tentado, aqui, prolongar o modelo de organização dramática que tão invulgares resultados produziu em Sangue do Meu Sangue (2011). A saber: organizar uma rede de ficção sustentada por atores - neste caso, um coletivo de atrizes a interpretar um grupo de mulheres em peregrinação ao Santuário de Fátima - e registá-la "como se" estivesse a fazer um documentário.

Mesmo considerando que os resultados ficam aquém dos resultados da experiência anterior, não há dúvida que este Fátima ilustra uma singularíssima via criativa na paisagem do atual cinema português. Podemos, talvez, defini-la como um exercício a meio caminho entre a carnalidade do drama e o didactismo do retrato sociológico. A conjuntura religiosa em que ocorre o lançamento do filme apenas reforça a importância dos seus temas.

Classificação: *** (bom)

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