Edward Snowden no novo mundo da política

Snowden, Oliver Stone

O mínimo que se pode dizer do filme de Oliver Stone sobre Edward Snowden é que nunca será um objeto apaziguador. Desde logo, porque o facto de Snowden ter divulgado ficheiros secretos da National Security Agency (NSA), em 2013, o transformou numa figura inevitavelmente polémica. Depois, porque, seja qual for o ponto de vista que possamos sustentar sobre tal ação, não é possível encará-lo como um fenómeno individual, muito menos individualista.

Em jogo estão as novas relações entre política e tecnologia, criando redes e circuitos que transfiguram, porventura desagregam, as mais clássicas relações entre pessoas e instituições. Com uma montagem tão ágil e surpreendente como a da sua obra-prima JFK (1991), Stone desenha um gigantesco labirinto de factos e suposições, objetos visíveis e invisíveis, que nos faz sentir o mundo como "coisa" infinita e inquietante. Afinal de contas, este é um filme sobre a reconversão do espaço e do tempo. Deixando uma dilacerada interrogação: que significa dizer "eu", aqui e agora?

Classificação: ***** excecional

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