É verão na LxFactory: há música eletrónica para dançar sem parar

Mais de 60 artistas no primeiro festival de música eletrónica feito no inverno. Sexta e sábado em Lisboa

Karla Campos já tinha no seu currículo dois festivais bem conhecidos do público português, Sumol Summer Fest e EDP Cool Jazz. Mas a ambição de ter um festival dedicado à música eletrónica e que se realizasse no inverno já vinha de há muito e agora finalmente se concretiza, com o Lisboa Dance Festival, que entre esta sexta-feira e sábado assenta pela primeira vez arraiais em vários espaços da LxFactory, com um programa que inclui mais de 60 artistas, portugueses e estrangeiros, e uma presença forte de editoras nacionais. O passe para os dois dias custa 50 euros.

Sendo esta a primeira edição existe um desafio acrescido, diz ao DN a responsável pela produtora Live Experiences. "É sempre um desafio por ser desconhecido de todos: agentes, artistas, parceiros, público. E, por isso, o cartaz, a imagem, o local, as datas e o preço foram muito bem pensados e são a grande aposta. E exatamente para fugir do bolo dos festivais de verão, foi pensado para o inverno." Até porque, para Karla Campos, "o inverno, e os espaços fechados, são o clima perfeito para o ambiente underground da eletrónica".

O objetivo deste primeiro ano de Lisboa Dance Festival, segundo Karla Campos, é chegar aos dez mil espectadores nas duas noites. Isto com um cartaz que inclui não só grandes nomes do panorama atual da música de dança, como Sven Väth, Motor City Drum Ensemble ou Move D, mas também com um especial destaque à produção nacional. É evidente essa aposta, com a presença de 16 editoras portuguesas ligadas à música eletrónica e de dança. A Enchufada (onde nasceram os Buraka Som Sistema), a Extended, Príncipe Discos (que de ano para ano tem merecido cada vez maior aclamação internacional), One Eyed Jacks (da qual faz parte a produtora Violet, que recentemente criou a música para o desfile de alta-costura da Versace, em Paris) ou Discotexas são alguns exemplos. Karla Campos lembra que algumas destas editoras "até são mais consumidas fora do que dentro de Portugal, estando presentes em clubes e festivais de todo o mundo".

São quatro as salas pelas quais se divide o Lisboa Dance Festival, que salta ainda até ao Ministerium Club, já no Terreiro do Paço, para as sessões após as cinco da madrugada, além dos espaços que acolhem o Market (na Fábrica L) e os vários debates, conferências e masterclasses (no espaço Act For All). Este é, aliás, um dos pontos distintivos do festival, o presentear os interessados com debates sobre, por exemplo, o papel da rádio no mapa musical português (sábado, 19.00), o som das periferias e a batida de Lisboa (sábado, 17.30) ou com conferências sobre como editar um disco de vinil (sábado, 16.00).

O hip hop também está presente neste primeiro Lisboa Dance Festival, como prova a atuação de DJ Ride, que no sábado vai estrear no certame, às 23.30, na sala Zoot, o espetáculo From Scratch Live, para o qual convidou Capicua, Dengaz, HMB, Holly, Jimmy P, MGDRV, Stereossauro e Valete.

Depois desta primeira edição, as ambições não abrandam. Karla Campos quer que o festival se "espalhe por toda a Lisboa e por mais dias", e que se torne "uma referência internacional".

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