Duetos com Katia Guerreiro e outras surpresas

Plácido Domingo Interpretará na primeira parte ópera e na segunda zarzuela, opereta e musicais. E... um fado?

Desde que chegou ontem a Lisboa que Plácido Domingo tem estado a preparar o espetáculo que apresenta amanhã à noite no Meo Arena, por ocasião dos 80.º aniversário da Rádio Renascença. Mas não foi só Plácido Domingo que esteve muito envolvido nestas últimas horas, pois no palco também vai estar a portuguesa Katia Guerreiro, que, ao DN, antecipou algumas das séries de boas novidades. "Não vou contar tudo, afinal as surpresas são o melhor de um espetáculo", avisa logo ao início da conversa.

Então vamos lá saber um pouco do que se consegue apurar sobre o encontro do grande tenor com a intérprete portuguesa. E, ao apercebermo-nos do que Katia Guerreiro revela, compreende-se a razão do seu entusiasmo: "Vamos fazer dois duetos." Ficará por aí a sua participação? Não, é o que se depreende de mais umas breves revelações, suficientes para se manter o mistério em torno da grande noite anunciada para a presença de Plácido Domingo na capital portuguesa.

Além dos dois duetos, vai saber-se que Katia Guerreiro irá cantar a solo mais alguns temas, os que tem estado a ensaiar nos últimos tempos e pouco mais sobre o que tem estado a ser cozinhado entre os dois. Aliás, é para essa amizade que se percebe existir entre ambos que a conversa se desvia e ouve-se o seguinte: "Temo-nos cruzado nos últimos oito anos e sempre tem existido um desejo de fazermos mais qualquer coisa juntos." Vai mais longe ao admitir que "estamos muito entusiasmados com o que acontecerá esta noite, mas também com o que poderá vir a acontecer fora do país".

Ou seja, adivinha-se que algo poderá acontecer entre os dois intérpretes, suspeita que as palavras de Katia Guerreiro mais ou menos confirmam: "Desta vez será apenas parte de um desejo que alastra há alguns anos, que não é exatamente o que poderemos ainda vir a fazer juntos."

Não sendo a primeira vez que atua em Portugal, Plácido Domingo vem de uma presença constante em palcos internacionais. Tal como referiram alguns críticos aquando da sua presença há dois meses em Barcelona, para participar da encenação da ópera de Massenet, Thaïs, é difícil fazer uma referência inédita devido ao seu percurso ser muito bem conhecido do público.

O que recolhe opinião unânime é a sua presença em palco, pelo menos no que toca à voz de um intérprete com 76 anos. Em Barcelona foi dito que "é um milagre da natureza e difícil de encontrar noutros intérpretes". A única questão que é admissível em relação a Plácido Domingo é se é um tenor ou um barítono, dúvida que há um ano voltou a ser colocada durante três sessões da ópera Nabucco, de Verdi, no Covent Garden. Também aí a crítica optou por pôr a questão num segundo plano do debate, até porque uma das especialistas britânicas fez o seguinte comentário após o trio de representações sucessivas: "A sua voz tem mais cores na paleta do que os três cantores que o rodeavam e não perdeu a sua habilidade para dominar um palco. Não se observam em Plácido Domingo quaisquer sinais de declínio."

No espetáculo de Lisboa, Plácido Domingo será acompanhado pela Orquestra Sinfonietta de Lisboa. Também subirá ao palco a soprano Micaëla Oeste e haverá a participação especial de Rita Marques, a jovem soprano do Centre de Perfeccionament Plácido Domingo.

Conhecido como o "rei da Ópera", já pisou o palco durante meio século do seu percurso para realizar cerca de 4000 interpretações. Amanhã, soma-se mais uma.


Plácido Domingo

Amanhã, 21.30, no Meo Arena, Lisboa

Participação especial de Katia Guerreiro, Orquestra Sinfonietta de Lisboa

Preços de 38 a 140 euros

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