Duas caixas-fortes para joias e ourivesaria

A museografia da nova ala do Palácio também estará concluída em dezembro de 2018. São quase mil joias e mais de 6 mil peças de ouro e prata.

A segurança é um dos grandes desafios do novo projeto da Ajuda. Aqui ficarão guardadas duas das mais importantes coleções reais: joalharia e ourivesaria. Os tesouros nacionais que ganharam o nome de Joias da Coroa e reúnem peças de ouro, prata e pedras preciosas. Uma coleção importante tanto a nível nacional como internacional, exibindo dos melhores exemplares da época, como é o caso da baixela Germain, oriunda da oficina do ourives francês François-Thomas Germain. Outras peças que podem finalmente ser vistas de outra forma são as que fazem parte da baixela Londres, um conjunto que sobreviveu às viagens da corte do Brasil para Londres e daí para Lisboa.

De diferentes tipologias e materiais, são as 6340 peças de ourivesaria que serão mostradas a partir de dezembro de 2018, no piso 3 da nova ala. A mais antiga é datada do século XIV e a mais recente do início do século XX, atravessando períodos prósperos das primeiras expedições portuguesas ou conturbados como a ida da corte portuguesa para o Brasil, em 1808.

A coleção de joalharia é menor, cerca de 900 exemplares, mas da mesma importância. As peças, resguardadas de olhares públicos, também poderão ser vistas como um todo. A mais antiga é do século XVII a mais recente do século XIX.

Este acervo reúne apenas as peças que em 1910 pertenciam à coroa e não aquelas que pertenciam ao rei ou à família real, e que foram entregues a D. Maria Pia, D. Amélia ou ao seu filho, o rei D. Manuel II, que se exilou em Londres. Estas peças saíram de Portugal após o arrolamento do inventário do Palácio da Ajuda, que determinou o que pertencia a quem, razão pela qual ocasionalmente chegam ao mercado joias que foram usadas pela realeza portuguesa, mas não pertencem à Coroa.

Parte do financiamento para a construção do remate do Palácio provém da indemnização de cerca de 6 milhões de euros que foi paga ao Estado português na sequência do roubo das joias que foram para Haia para uma exposição de peças de casas reais europeias. O roubo aconteceu na madrugada de 2 de dezembro de 2002 no Museu de História Natural da cidade holandesa. A investigação durou sete anos, sem a recuperação das peças.

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