Diretora salienta trabalho inovador de 32 anos

A diretora do Palácio Nacional da Ajuda (PNA), Isabel Silveira Godinho, em vésperas de sair, salientou "o trabalho inovador que foi feito", durante os 32 anos de direção, tornando o museu "um laboratório de experiências".

A conservadora, em entrevista à agência Lusa, citou, entre outras iniciativas da sua gestão, "a primeira loja do património", a abertura das "portas do palácio à arte contemporânea, em 1988", a criação de um grupo de voluntários e a dinamização do mecenato.

Isabel Silveira Godinho deixa o PNA na quinta-feira. "O concurso público para o novo diretor estará concluído em meados de maio, até lá, Manuel Bairrão Oleiro, irá assegurar a administração" do museu, disse à Lusa fonte da Direção-Geral do Património Cultural.

Em declarações à Lusa, Isabel Silveira Godinho afirmou que não faz um balanço das três décadas em que desempenhou o cargo, preferindo "balanços projeto a projeto". "Olhando para trás", porém, reconhece "muita coisa que se fez de forma inovadora".

"Somos talvez o único museu a ter um coro, o D. Luís, com o qual percorremos o país - fomos ao estrangeiro, gravámos um CD, [desenvolvemos] o projeto de mecenato, antes de sair a lei respetiva, que foi publicada em agosto de 1986, criámos o grupo de voluntários há 31 anos, iniciámos as exposições 'Um olhar sobre o palácio' em 1992", afirmou.

"Atualmente temos uma exposição magnífica da Joana Vasconcelos e, na preparação, é que me dei conta de que abrimos as portas do palácio à arte contemporânea, em 1988, com a Kukas", a "designer" de jóias, recordou.

Referindo-se ao mecenato, Isabel Silveira Godinho afirmou que, através do projeto "Uma sala, um mecenas", iniciado em 1996, foram restauradas 10 salas do PNA, além "do muito que deram, porque a generosidade gera generosidade e não é contabilizável, mas traduziu-se em equipamentos, cursos, ações, etc.".

"Tudo isto aconteceu num tempo em que o mundo era melhor, havia um maior espírito de doação, até das pessoas por si próprias - e as pessoas foram a minha grande ajuda, sem elas nada tinha feito", afirmou.

O mecenato foi também importante para fazer regressar ao palácio 1617 peças. A mais recente, este mês, foi uma caixa de ouro da Rainha Maria Pia, com o respetivo monograma coroado, adquirida por 7.500 euros.

A conservadora revelou ainda que o seu método de trabalho foi sempre o do diálogo, e convencer os outros com a proposta de se fazer uma experiência.

"Eu dizia 'vamos fazer a experiência, se não der resultado voltamos atrás', mas resultou sempre e continuámos", contou.

A conservadora deixa o palácio com projetos "em andamento", nomeadamente uma exposição, a inaugurar a 16 de outubro, dia do PNA, alusiva ao pintor Enrique Casanova, falecido há 100 anos, e que foi artista da Casa Real e professor dos príncipes, D. Carlos e D. Afonso, e das rainhas D.ª Maria Pia e D.ª Amélia.

Outro projeto é a exposição "A China no Palácio da Ajuda", constituída por 20 peças, a maioria em porcelana, por ocasião da visita prevista à China, do Presidente da República, e o regresso ao PNA de uma mesa de magia do século XIX, ainda por concretizar.

A mesa encontra-se no Funchal, no palácio de S. Lourenço, tendo sido emprestada na década de 1930.

"Lá está a mesa. Nós aqui, no palácio, temos os objetos de magia que se destinam aos buracos que há na mesa, que já foi estudada por eminentes mágicos, nomeadamente o Luís de Matos", disse.

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