Diretora do Palácio da Ajuda espera que se encontrem as joias da Coroa, roubadas em 2002

A diretora do Palácio Nacional da Ajuda (PNA), Isabel Silveira Godinho, afirmou à Lusa que mantém a esperança de se encontrarem as joias da Coroa portuguesa, roubadas na Haia, em dezembro de 2002.

Isabel Silveira Godinho que, por motivos de reforma, deixa, na quinta-feira, a direção do PNA, afirmou que o roubo das joias foi um dos momentos "menos positivos" que enfrentou durante os 32 anos em que esteve à frente do museu.

"O roubo das joias da coroa é um mistério que terá de ser esclarecido. O roubo faz parte da vida, não só dos museus, e não há museu no mundo que esteja imune a ter um roubo, eu nem sequer fui a Haia", disse Isabel Silveira Godinho.

"As pessoas não sabem o que se passa nessa área dos roubos nos museus, mas certamente será esclarecido um dia. Um tesouro Inca, mais valioso, no seu total, do que as joias que nos foram roubadas, esteve desaparecido durante mais de 20 anos e apareceu há pouco tempo, intacto, em Londres", referiu.

"Mantenho a esperança em que as joias apareçam", sustentou.

A conservadora acrescentou que, "neste contexto, deve-se também registar o facto de que, naquele mesmo museu [na Haia], a exposição anterior tinha sido de tiaras das casas reais, e não foram roubadas só as nossas joias - a Rainha da Holanda também foi roubada, assim como outras instituições europeias".

Outro projeto que marcou negativamente a diretora do PNA, foi a "cafetaria inteligente", que projetou e concretizou em 1991, quando no PNA se expuseram os "Tesouros Reais", e que, "com tudo pronto, as máquinas compradas, as ofertas feitas, no âmbito do mecenato, não deixaram abrir" as instalações.

"Nunca entendi. Mais valia não terem deixado avançar o projeto, mas gastou-se o dinheiro, e não se fez nada", desabafou.

Outro projeto que não conseguiu levar a cabo foi a recuperação do oratório da Rainha, um original do arquiteto Ventura Terra e do pintor Veloso Salgado. Uma contrariedade, reconheceu a diretora, que atestou: "Quando acredito num projeto vou com ele avante".

Referindo-se à forma como se empenhou no PNA, a conservadora disse que "foi uma paixão pública", para a qual "foi fundamental o apoio da família".

"Nunca quis brilhar além dos outros, mas sim usar a minhas capacidades para melhorar esta casa [o PNA]", argumentou.

Conservadora de museu desde 1973, Isabel Silveira Godinho esteve 32 anos à frente do PNA. É autora de diversos artigos e publicações relacionados com a temática dos museus e, em particular, com as coleções do PNA onde foi comissária das exposições "Tesouros Reais" e "D. Luís I -- Duque do Porto, Rei de Portugal", entre outras.

Apresentou em Portugal e no estrangeiro várias palestras sobre a temática das coleções do PNA, museologia, voluntariado e gestão cultural, uma das mais recentes, em Roma, sobre a rainha Maria Pia.

Isabel Silveira Godinho presidiu à Comissão Nacional do conselho internacional de museus - International Council of Museums (ICOM) --, de 1995 a 2002.

A conservadora pertence à Academia Nacional de Belas Artes, com a qual irá colaborar no futuro, a par de assumir em pleno a presidência da Federação de Amigos dos Museus de Portugal.

A escrita de um livro "sobre as histórias e as experiências na Ajuda" é outro dos projetos de Isabel Silveira Godinho.

"Tenho experiências, tenho histórias, não são memórias, eu sou uma contadora de histórias", conclui a ainda diretora do PNA.

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