Diogo Infante de capa e espada e um nariz enorme para fazer Cyrano

Entre a comédia, o romance e o drama, João Mota encena Cyrano de Bergerac com Diogo Infante e Sara Carinhas nos papéis principais.

Um nariz é apenas um nariz. A não ser que seja um nariz enorme. Um nariz digno de uma máscara. Uma protuberância incómoda. Um nariz que ofusca o rosto e o homem por trás dele. O nariz de Cyrano de Bergerac, bravo soldado, exímio espadachim, poeta apaixonado e apesar de tudo isto homem frustrado com a sua aparência e que, com medo da rejeição, hesita em mostrar os seus verdadeiros sentimentos. Há poucas personagens assim, diz Diogo Infante: "Interpretar este papel é uma prenda, este é um papel de sonho, o papel de uma vida." E o sonho concretiza-se: Cyrano de Bergerac, de Edmond Rostand, com encenação de João Mota e interpretação de Diogo Infante, estreia amanhã na sala principal do Teatro Nacional Dona Maria II, em Lisboa.

No palco, Diogo Infante não é o galã que conhecemos. Cabelos desgrenhados. Corpo de gigante. Espada em punho. E o tal apêndice indisfarçável. O nariz. "Perguntei--me se só conseguiria encontrar Cyrano quando pusesse o nariz, mas tentei fazer o contrário, pensei: não contes com o nariz, não penses no nariz, ele é para além do nariz. O nariz é um artifício e é um símbolo. Procurei-o em mim", explica o ator. Mas, claro, quando colocou o nariz postiço pela primeira vez "surgiram logo coisas". A voz mudou, a visão periférica ficou alterada. "Tinha um grande mamarracho entre os meus olhos e percebi que isso mudava tudo, o beber água, o dar um beijo, tudo era diferente e comecei a tirar partido das coisas que o nariz me ia dando."

Leia mais na edição impressa ou no e-paper do DN

Mais Notícias

Outras Notícias GMG