"Dias da Música estão pensados como um tríptico"

Três perguntas a André Cunha Leal, o programador de Os Dias da Música

Este ano os Dias da Música têm um figurino diferente. Porquê?

Os Dias da Música são pensados como o culminar da temporada e estão integrados num dos ciclos mais importantes do Centro Cultural de Belém, Tirai os pecados do mundo, o ciclo Hieronymus Bosch. Os Dias da Música aparecem cada vez mais associados à temporada e não como uma coisa desgarrada e, neste caso, estão pensados como um tríptico.

Mas porquê um tríptico se na próxima edição o festival terá quatro dias?

O tríptico mais conhecido de Bosch, quando está fechado, expõe precisamente A Criação do Mundo. Tipicamente à Bosch, abrimos A Criação do Mundo e damos com os vários processos: os castigos, as culpas e as graças divinas. Obviamente na quinta-feira, que corresponde à portada, não poderá faltar A criação de Joseph Haydn, a obra mais emblemática que trata da criação e da expulsão do paraíso. Depois vamos ter a Danação de Fausto, de Berlioz, Os Sete Pecados Mortais, de Kurt Weill, e a Reconquista do Paraíso, de Robert Schumann, uma das maiores oratórias do século XIX. Será uma grande descoberta do público português, interpretada pela Orquestra XXI.

Porque concentraram o Festival Monteverdi num fim de semana?

Não deve haver passo mais revolucionário na música do que o dado pela geração da camerata fiorentina. Tiveram a coragem de romper com as regras apertadas da polifonia e da Igreja e fizeram o casamento perfeito entre música e palavra. Mesmo sem a integral de Monteverdi, porque tem uma obra muito extensa, pode fazer-se um grande festival com as Vésperas de Nossa Senhora, uma obra revolucionária e o Orfeu, que define o que vai ser a ópera. O grande interesse deste festival - e por isso é que tinha de ser concentrado, senão as pessoas não percebiam - é podermos acompanhar a evolução de Monteverdi, desde as primeiras polifonias até aos dramas.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG