De Gil Vicente a Mia Couto: o que vamos ver nos palcos

Ainda há muitas incógnitas sobre o que vai acontecer no teatro português (e nos teatros portugueses) em 2018, mas estas são algumas das certezas.

Há um novo presidente na administração do Teatro Nacional São João, no Porto (Pedro Sobrado), há um novo diretor da Culturgest, em Lisboa (Mark Deputter), preveem-se mudanças na gestão dos teatros municipais da capital num ano que começa com as companhias de teatro à espera dos resultados para os apoios que deveriam ser sustentados mas que, para já, são uma incógnita. Entretanto, apesar da precariedade, os criadores continuam a trabalhar. Ficam aqui algumas pistas para o que vamos poder ver nos palcos nos primeiros meses de 2018.

Gil Vicente em destaque no Porto

A 6 de janeiro, no Teatro Carlos Alberto (TeCA), no Porto, começa o "Atelier 50 - Barcas de Gil Vicente" que reúne 50 pessoas para uma leitura encenada da "trilogia das barcas" (Inferno, Purgatório e Glória), com orientação de Nuno Carinhas e Nuno M. Cardoso. No dia 15, José Augusto Cardoso Bernardes profere uma conferência sobre "Gil Vicente no seu tempo e no nosso tempo". Entre os dias 17 e 21, o TeCA recebe Embarcação do Inferno , um espetáculo d"A Escola da Noite e do Cendrev, com encenação de António Augusto Barros e José Russo - encenadores que orientam uma oficina vicentina no Teatro São João.

A Mala Voadora um ano inteiro com um texto

O texto White Rabbit, Red Rabbit foi escrito pelo iraniano Nassim Soleimanpour para circular pelo mundo sem o seu autor, sem cenários, sem figurinos, sem elenco, sem ensaios. A Mala Voadora propõe-se interpretar este texto doze vezes ao longo de 2018. No dia 10 de cada mês, no espaço da companhia, no Porto, um performer diferente dará voz a White Rabbit, Red Rabbit. A primeira sessão é com João Pedro Vaz. Para as sessões seguintes estão já assegurados nomes tão variados como Maria João Luís, Fernanda Lapa, Gonçalo Waddington e Ana Deus.

Dom João pelos caminhos de Portugal

Após o fim do Teatro da Cornucópia, a companhia Mascarenhas Martins desafiou o encenador Luís Miguel Cintra para um projeto megalómano. Ao longo de 2017, percorreram quatro cidades para, com cerca de 20 atores, trabalhar isoladamente cada um dos quatro atos da peça, elaborada a partir de D. João, de Molière e outros textos. Agora, é hora de apresentar o resultado: Um D. João Português vai estar primeiro em Guimarães (19 e 20 de janeiro), depois no Viriato, em Viseu (26 e 27 de janeiro), em Setúbal (23 e 24 de fevereiro), no Montijo (2 e 3 de março) e no Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada (10 e 11 de março).

Vamos conhecer melhor os Actores

Encenação de Marco Martins com interpretação de Bruno Nogueira, Carolina Amaral, Miguel Guilherme, Nuno Lopes e Rita Cabaço, Actores é uma criação coletiva que resulta de uma reflexão sobre o trabalho do ator através dos relatos autobiográficos de cada um dos intérpretes e também a partir de textos por si representados ao longo dos anos. De 11 a 28 de janeiro no São Luiz, em Lisboa; depois no Teatro Nacional São João, no Porto, de 7 a 11 de fevereiro; e no Cine-teatro Louletano a 16 de fevereiro.

Artistas Unidos fazem O Grande Dia da Batalha

Jorge Silva Melo encena O Grande Dia da Batalha , variações sobre Albergue Nocturno, de Máximo Gorki (1901). "Como viver quando o abismo da precariedade, da miséria e da desgraça cada dia mais se abre debaixo dos nossos pés, neste agónico capitalismo em que nos afundamos?", pergunta Silva Melo. Co-produção dos Artistas Unidos e do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, o espetáculo junta atores como Paula Mora, Rúben Gomes, José Neves, Simon Frankel, Ricardo Aibéo, João Pedro Mamede e outros. Estreia a 18 de janeiro.

A grande tragédia Oresteia no CCB

Tónan Quito encena Oresteia , de Ésquilo, trilogia que inclui as tragédias Agamémnon, Coéforas e Euménides, num espetáculo que conta com uma equipa de luxo: texto e dramaturgia de Miguel Castro Caldas, cenografia de Fernando Ribeiro, luz de Daniel Worm, figurinos de José António Tenente, música de Dead Combo. No palco estarão atores e bailarinos, entre eles Cláudia Gaiolas, Francisco Camacho, Isabel Abreu, Tónan Quito e Vera Mantero. Estreia a 17 de fevereiro no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Um espetáculo com Banda Sonora

O Teatro Elétrico faz um teatro cada vez mais musical. Este Banda Sonora é um espetáculo que tem como ponto de partida a composição de Filipe Raposo para seis vozes femininas e para a Orquestra Metropolitana de Lisboa. "É o trabalho musical que desperta e faz desenvolver o texto", explica a companhia. Com texto e encenação de Ricardo Neves-Neves. A 8 de março no Teatro São Luiz, em Lisboa.

O Bando entre Paula Rego e Mia Couto

Paula de Papel é o nome do espetáculo que a companhia O Bando estreia em abril, em Vale de Barris (Setúbal), a partir do universo pictórico de Paula Rego, com encenação de Juliana Pinho. Em outubro, apresentam em co-produção com o São Luiz Teatro Municipal a partir de Mia Couto e da história de Gungunhana a criação Netos de Gungunhana, uma encenação de João Brites, numa parceria internacional com O Teatro do Instante (Brasília)e com a Fundação Fernando Leite Couto (Maputo).

Juvenal Garcês regressa

Juvenal Garcês (da extinta Companhia Teatral do Chiado) regressa aos palcos e não só vai encenar como será um dos intérpretes de Os Que Regressam , a partir de Fantasmas, de Henrik Ibsen, um dos seus autores preferidos. A seu lado estarão Lia Gama, André Nunes e António Cordeiro. Estreia a 21 de junho, no CCB, Lisboa.

Festival de Teatro de Almada

Sobre a programação do próximo festival só há uma certeza: Bigre, melodrama burlesco da companhia francesa Les Fils di Grand Réseau, será o espetáculo de honra na edição que acontece de 4 a 17 de julho, em Almada e Lisboa.

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