Crise fez cair receitas de bilheteira do CCB

A diminuição das receitas de bilheteira, no ano passado, foi um dos impactos da crise económica no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, segundo o presidente da entidade, Vasco Graça Moura.

Numa entrevista à agência Lusa a propósito do primeiro ano de mandato, após ter sido nomeado, em janeiro de 2012, o presidente do CCB falou no impacto da crise económica do país na afluência do público aos espetáculos.

"O grande problema neste momento é a diminuição do público nalguns espetáculos", avaliou, ressalvando que os auditórios enchem no caso dos artistas mais conhecidos.

Se há centenas de pessoas que acorrem a outras iniciativas, de entrada livre no CCB, Vasco Graça Moura constatou, ao fim de um ano, os efeitos da crise no consumo cultural.

"Temos que ser realistas e pensar que o aumento das dificuldades económicas dos portugueses vai corresponder certamente a uma diminuição da frequência dos espetáculos pagos. Relaciona-se com a crise atual", comentou.

Para Vasco Graça Moura, apesar do CCB estar enquadrado numa zona privilegiada de turismo, de monumentos, de paisagem e de museus, "é, de algum modo, um equipamento periférico, que está num dos extremos da cidade, e coloca problemas de transporte" a muitas pessoas.

De acordo com o responsável, o público acorre mais ao CCB no fim de semana, e menos durante a semana".

Sobre o impacto global da crise económica na produção e consumo cultural em Portugal, Vasco Graça Moura disse: "Ainda não sabemos quais os efeitos da crise [na cultura]. Ainda não estão completamente à vista".

"Alguns efeitos negativos vão produzir-se, mas também pode induzir a maiores consumos culturais. As pessoas podem precisar de se agarrar a uma dimensão cultural da vida para fazer face aos seus próprios problemas", considerou.

Por outro lado, recordou que "a História mostra que muitas vezes as grandes obras de arte surgem em momentos de adversidade".

O CCB foi uma das fundações cujo orçamento de 2013 sofreu um corte de 20 por cento, ficando o valor global, de funcionamento, em 10,3 milhões de euros, com uma comparticipação do Estado da ordem dos 6,05 milhões, segundo os valores indicados pela entidade.

Quanto ao orçamento para a programação cultural, que engloba o Centro de Espetáculos, a Fábrica das Artes, a Sala de Leitura, e o novo espaço expositivo da Garagem Sul, ascende a 2,75 milhões de euros.

Questionado sobre o corte de 30 por cento no orçamento da Casa da Música, no Porto, Vasco Graça Moura disse não querer comentar outras instituições: "Espero que realize a sua missão o melhor possível", disse.

Sobre eventuais cortes futuros no CCB, considerou-os "do domínio do hipotético": "Não me parece que esteja no horizonte desta casa. A Fundação CCB, nos seus estatutos, só pode existir com o apoio do Estado, para realizar os seus objetivos".

Sobre o novo espaço expositivo, criado para acolher exposições sobre arquitetura, Vasco Graça Moura disse que "tem tido uma afluência muito importante", indicando os cerca de 800 visitantes no primeiro mês de abertura.

Questionado sobre a possibilidade de vir a acolher outras exposições, avaliou que o espaço "neste momento não tem condições técnicas para outro tipo de exposições, como pintura. Seria caríssimo resolvê-las neste momento".

No quadro das poupanças, referiu que o equipamento voltará a encerrar em agosto, ainda em datas a definir, para não afetar a programação, tal como aconteceu em 2012.

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