Como fazer cinema de videojogo sem videojogo

Justin Kurzel, o realizador de "Assassin"s Creed", falou em exclusivo para o DN e confessou que desconhecia o videojogo que adapta...

Shakespeare numa adaptação de videojogo. Era o que mais faltava mas Justin Kurzel quando aceitou ser o responsável para o primeiro filme inspirado no muito popular Assassin"s Creed pensou nisso, sobretudo quando anteriormente tinha realizado Macbeth, Shakespeare todo modernaço e estilisticamente violento ao gosto da moda.

Na verdade, foi Michael Fassbender, a estrela dessa adaptação, quem se lembrou de convidar o cineasta australiano para esta aventura. O ator britânico (nascido na Alemanha) é um dos produtores do filme e ficou entusiasmado pela maneira como fora dirigido em Macbeth. O entusiasmo foi tão grande que convenceu também a sua companheira de Macbeth a entrar a bordo, Marion Cotillard, que aqui interpreta a cientista dos Templários que gere as viagens no tempo da personagem do herói até às batalhas da Inquisição espanhola.

Há seis meses, Justin Kurzel encontrava-se com o DN para uma pequena apresentação do projeto, ainda com muitos efeitos digitais por concluir. Sentia-se que era um cineasta engolido por um longo processo de pós-produção: "O conceito aqui é fazer resultar esta ideia realmente sofisticada de colocar um herói a viajar até aos tempos dos seus antepassados e haver uma relação entre as personagens. Esse era o grande desafio."

Ao lado de Kurzel, numa sala de visionamentos de um hotel de Londres, estão alguns dos objetos do filme e guarda-roupa. Nota-se que um dos fatos que Michael Fassbender usa nos tempos da Inquisição tem um realismo espantoso, sentindo-se mesmo a costura feita à mão. Para que nas cenas de artes marciais nada falhasse, foram feitos 14. Curiosidade que é o próprio realizador a contar.

E Kurzel jura também nunca ter visto Masmorras e Dragões ou Super Mario Bros, outras adaptações a videojogos: "Não foi por aí. Quisemos fazer um filme fresco. Queríamos ter uma narrativa única e personagens interessantes. Não foi feito para os fãs do videojogo mas sim como uma obra legítima de cinema. Se quer saber, nunca tinha jogado este videojogo antes nem sabia nada sobre este universo. Mais tarde, descobri que há muita literatura sobre Assassin"s Creed. Depois de conhecer os criadores percebi que estava perante um vasto universo. Creio que funciona como lição de História. Por isso, quis que fosse credível a descrição histórica da Inquisição, muito mais do que qualquer particularidade do jogo."

A verdade é que até agora, nos EUA, os resultados estão longe de mover milhões. Terá o filme um toque demasiado histórico? Será um pouco excessivamente europeu, com tantos diálogos em castelhano? Na altura, Kurzel estava mais preocupado em aspetos formais, sobretudo com as cenas de ação: "As lutas têm uma qualidade de ballet..." Seja como for, há também uma declarada ideia de fazer um tipo de cinema sem medo das consequências da série B, mesmo quando nos secundários temos Charlotte Rampling e Jeremy Irons a tornar tudo mais digno.

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