Coachella: o regresso dos LCD Soundsystem e os hits de Ellie Goulding

A primeira noite do icónico festival do deserto californiano teve grandes performances no palco principal e surpresas nos secundários

Entre as luzes das instalações de arte e o vento sem misericórdia que varreu o recinto do Coachella, os LCD Soundsystem deram um concerto estonteante no encerramento da primeira noite do festival. Começaram às 23h20, em ponto, e terminaram perto da uma da manhã. A multidão não esteve ao nível da performance - talvez estivessem ali por arrasto, porque compraram bilhete para ver a grande atração deste ano, Guns "N Roses, ou o rei da música de dança eletrónica, Calvis Harris.

Mas a banda de James Murphy deu-lhes um espetáculo memorável, um pouco mais agressivo que o esperado. Murphy falou pouco; pediu o aplauso para Nancy Whang (voz e sintetizador) após a entrada de rompante com Us V. Them e o hit Daft Punk is Playing at my House. Depois, explicou que tinha combinado com a banda falar pouco para poder juntar mais uns pozinhos à longa setlist.

E juntou, em dois momentos marcantes: um foi a piscadela aos cabeças de cartaz Guns "N Roses, com a intromissão de uns versos estranhos no fim de New York I Love You But You"re Bringing Me Down: "When I look into your eyes, I can see a love restrained. But darling when I hold you, don"t you know I feel the same? Nothing lasts forever, and we both know hearts can change. And it"s hard to hold a candle, in the cold November rain", cantado em uníssono por Murphy e Whang. À cover dos Guns juntaram outra que deixou a audiência em êxtase, na penúltima canção: Heroes de David Bowie, uma rendição perfeita que podia ter terminado o concerto em grande. Ainda se seguiu All My Friends, quando a multidão sempre em movimento do Coachella já estava mais pequena.

Este regresso dos LCD Soundsystem, cinco ano depois do adeus, apanhou muitos festivaleiros de surpresa, mas ainda assim houve festa: lá pelo meio, levantou-se uma tenda colorida para servir como casulo de dança e gerou-se uma mini punk-rave onde toda a gente tinha os braços levantados para não levar com o pano ondulante na cabeça. Murphy, em contraste com o mar de cores no recinto, distinguia-se pouco dos outros músicos em palco, com uma camisa branca e calças pretas, agarrado ao microfone com as duas mãos e sem nunca sorrir.

Foi um pouco a antítese do que se tinha passado naquele mesmo palco principal uma hora antes, quando a britânica Ellie Goulding arrasou a audiência com um concerto de hits - também toda vestida de branco, mas mais ao estilo Coachella (calções, top curto e franjas esvoaçantes). Goulding personificou o espírito deste festival, que procura uma fusão entre música de dança com toques de rock e guitarras elétricas. Abriu com Delirium, que dá nome ao último álbum, e pôs toda a gente a saltar na quarta música, com Burn. "Está muito ventoso aqui em cima", disse, num dos raros momentos em que endereçou a audiência. Não era só lá em cima, mas a relva impediu que os festivaleiros se transformassem em panquecas de areia, como aconteceu mais tarde no caminho entre o Empire Polo Grounds e a saída.

O momento musical mais interessante veio com Lights, o single que a tornou conhecida para muita gente e que acompanhou apenas com piano, ao estilo balada. Anything could happen pôs toda a gente a cantar e I need your love, o mais EDM que Ellie Goulding tem para apresentar, foi o mais mexido da noite. "Este é um sonho tornado realidade, muito obrigada", deixou escapar quase no fim. A penúltima música, Figure 8, foi um momento poderoso de regresso ao álbum Halcyon Days, e o fim chegou com Love me Like You Do, a canção que esteve nomeada para os Óscares 2016.
Noutros palcos, os Underworld ressuscitaram as raves dos anos noventa com um poderoso concerto que terminou com Born Slippy, um momento apoteótico na tenda Sahara, A$ap Rocky levou Kanye West de surpresa ao palco (mas foram apenas alguns segundos de rap) e Seal fez uma aparição no set de Gallant, uma jovem promessa do R&B. O festival segue com Chvrches, Disclosure, Ice Cube e Guns N" Roses, e fecha com The 1975, Sia e Calvin Harris.

Los Angeles

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