'Sangue do Meu Sangue' em festival do American Film Institute

Em novembro o filme português candidato à nomeação para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro vai passar em mais um importante festival. O produtor Pedro Borges falou ao DN sobre o que esta submissão representa para o filme.

Ter um filme submetido para a categoria de Óscar de melhor filme estrangeiro obriga a ações promocionais específicas?

Independentemente do que se pense sobre os chamados Oscars, uma pré-nomeação traz obrigatoriamente responsabilidades acrescidas ao seu produtor. Acrescidas no sentido em que o trabalho de promoção internacional do filme começou há mais de um ano e que continuará ainda por muito tempo, mas que esta escolha é mais uma oportunidade de o fazer. Sendo que do que se trata agora é de ampliar a notoriedade que o filme já alcançou nos Estados Unidos, com a sua presença em muitos festivais (e um Grande Prémio em Miami) e que as menções nas previsões dos Oscars já conhecidas confirmam: o que os comentários no Indiewire e no Hollywood Reporter vêm demonstrar (e que ressaltámos no nosso comunicado) é que Sangue do Meu Sangue é um filme conhecido - e muito apreciado - no meio cinematográfico norte-americano. A curto prazo o trabalho centrar-se-á na apresentação do filme no AFI FEST - o novembro em Hollywood e na presença do realizador e de dois atores (o filme está na secção onde são exibidos os melhores 30 filmes do ano, o que já não é dizer pouco). Essa participação - e a promoção local do filme - está a ser feita pela sua distribuidora americana (a FiGa Films) e por uma Agência de publicistas especializados neste tipo de trabalho e que entretanto contratámos (e que estão em campo desde o início do mês). E com a ajuda de muitos outros profissionais do meio cinematográfico - nomeadamente programadores de festivais - grandes apoiantes do filme desde há mais de um ano. Não temos, evidentemente, os meios de que outros filmes dispõem, mas esperamos poder contar com que para além do nosso investimento próprio seja ainda possível contar com algum apoio institucional. Mas o trabalho prosseguirá naturalmente até ao final do ano, tendo em conta que o processo de escolha dos nove e depois cinco filmes nesta categoria é extremamente tortuoso...

Que importância tem esta submissão para a carreira internacional de Sangue do meu Sangue? E o que significaria uma eventual nomeação?

A pré-nomeação é uma escolha nacional, mas naturalmente que a sua inclusão na lista dos 71 filmes lhe dá mais um "empurrão" para a notoriedade internacional. Sendo que o filme foi já exibido (e ganhou prémios) em mais de 40 festivais de cinema um pouco por todo o mundo. A escolha do filme para a lista final de cinco nomeados significaria que tudo isto teria uma ainda maior repercussão. E seria importante para o cinema português, naturalmente. O cinema português que circula a nível internacional, que prestigia os seus autores e o país (não o cinema pimba que só fala do "público") e que tem em João Canijo um dos seus máximos representantes. Não gostaria no entanto de deixar de dizer - porque as minhas palavras foram anteriormente mal compreendidas - que um simples exercício teórico de memória permitiria comprovar que no dia seguinte à atribuição destes prémios já ninguém se lembra dos quatro preteridos e que dificilmente alguém, mesmo profissional do cinema, se lembra dos filmes que nos últimos dez anos foram premiados com um Oscar para o Melhor Filme Estrangeiro. Mas sobretudo, que muito raramente a escolha dos cinco nomeados reflecte os cinco melhores filmes do ano...

Que leitura faz da lista publicada pelo IndieWire, que colocou Sangue do Meu Sangue entre os favoritos a uma eventual nomeação?

A única leitura que há a fazer é que Sangue do Meu Sangue conseguiu ao longo deste ano e da participação (e premiação) em festivais internacionais adquirir uma muito considerável notoriedade e respeito no meio cinematográfico e que o trabalho de João Canijo é, também no estrangeiro e em particular nos EUA, altamente respeitado. Caso contrário, não apareceria nessa lista. De resto, são naturalmente apenas palpites e quem escolhe os filmes são apenas uns poucos membros da Academia (que têm disponibilidade para ver umas dezenas de filmes em muito pouco tempo).

A carreira do filme nos festivais internacionais terá peso numa eventual escolha?

Ninguém sabe o que realmente tem peso na escolha final de cinco filmes. Trata-se de um processo complicado e longo e em que o acaso (ou a sorte...) tem demasiado peso. Não quero no entanto deixar de lembrar que tanto as escolhas estéticas como narrativas do filme não são propriamente as que - aparentemente - mais o vocacionem para uma escolha deste tipo. Mas a presença (e premiação) em tantos festivais - nomeadamente em Toronto e nos EUA e em particular no AFI FEST - dão naturalmente ao filme um estatuto privilegiado...

Que posição oficial toma em relação às críticas do produtor de Tabu acerca da escolha de Sangue do meu Sangue neste processo de submissão ao Óscar?

Não as tomo propriamente como críticas. O produtor do filme Tabu faz a sua obrigação, que é a de defender o seu filme. Creio naturalmente que ele está enganado e que a escolha de Sangue do Meu Sangue foi absolutamente justificada. Creio que isso mesmo já se começou a comprovar. E creio sobretudo que são a realidade e os factos concretos que devem dirimir esta - saudável - diferença de opiniões. E estão a fazê-lo. Sangue do Meu Sangue foi já exibido em muitos festivais americanos, tem um distribuidor e o seu produtor sabe do que está a falar e do trabalho que é preciso fazer (não é a primeira vez que se ocupa deste tipo de trabalho). Os resultados disso vão continuar a ser visíveis, como já são.

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