Casas faça você mesmo vencem prémio Mies van der Rohe

Coletivo de arquitetos holandês conquista prémio de arquitetura da União Europeia com reabilitação de bloco de apartamentos dos anos 60 em que os habitantes fazem as casas à sua medida

Pela primeira vez na história dos prémios Mies van der Rohe, a distinção vai para a reabilitação de um edifício. Trata-se do bloco de apartamentos de Kleiburg, em Amsterdão, Holanda, um complexo dos anos 60 que tinha como destino a demolição.

Os arquitetos construíram um programa em que intervieram nas zonas públicas do edifício, alterando a localização dos elevadores exteriores, as passagens no piso térreo e toda a zona de circulação, deixando o acabamento dos apartamentos para os seus habitantes. Mais: desenvolveram uma tipologia que permite aos compradores escolher quantos apartamentos querem comprar e se estes se desenvolvem na horizontal ou na vertical. Com esta opção ofereceram habitação a custos acessíveis e a possibilidade de os moradores adaptarem a casa aos seus usos reais e ao seu gosto.

"O conceito do Kleiburg é de que a reabilitação das casas vai ser feito pelas pessoas que as vão habitar, são casas faça você mesmo", diz Xander Windsant, um dos arquitetos da equipa projetista premiada.

São quatro os arquitetos que assinam o projeto do DeFlat Kleiburg; Walter van Dijk, Pieter Bannenberg, Kamiel Klaase e Xander Windsant dos ateliers NL Architects e XVW Architectur.

Em 2005 o atelier NL Architects recebeu o prémio destinado aos arquitetos emergentes. Este ano o reconhecimento vai para o atelier belga MSA/V+ com um projeto de habitação social, NAVEZ, junto à entrada de Bruxelas.

O projeto DeFlat Kleiburg foi escolhido pelo júri entre cinco finalistas, selecionados de uma lista inicial de 355 de 36 países europeus. Vão receber o prémio de arquitetura da União Europeia Mies van der Rohe a 26 de maio em Barcelona.

Os finalistas eram, para além do projeto holandês, o Kannikegården, em Riba, na Dinamarca, com um programa cultural e social; Na habitação e também fazendo a reabilitação de habitação, qualificando-a, o Ely Court, em Londres, Reino Unido; E dois museus dedicados à Memória: Rivesaltes, em França e o Museu Katyn, em Varsóvia, Polónia.

Uma lista em que a arquitetura para todos é uma das tónicas fortes, como sinalizara já o júri na primeira fase de seleção.

O júri é constituído por sete elementos, entre os quais o arquiteto português Gonçalo Byrne.

Entre o primeiro grupo de selecionados do prémio Mies de arquitetura estiveram quatro projetos em Portugal: Museu de Arte Arquitetura e Tecnologia, em Lisboa, arquiteta Amanda Levete (UK); A sede da EDP, Lisboa, atelier Aires Mateus; O Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso, de Siza Vieira; Uma casa em Oeiras, do arquiteto Pedro Domingos. Não passaram à fase final do concurso.

No total, Portugal concorreu ao prémio de arquitetura da União Europeia com 40 obras.

A partir de 19 de maio a exposição dos prémios Mies abre ao público em Bruxelas (Bozar center for Fine Arts), onde fica até setembro. Aqui estarão os projetos, as maquetas, as fotos dos projetos nomeados. Entre 20 e 28 de maio decorrem uma série de atividades nos edifícios finalistas e no projeto de arquitetura emergente. Em Barcelona, na semana da arquitetura que decorre de 20 a 26 de maio, estão previstas várias atividades que culminam na entrega do prémio, no dia 26.

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