Casa da Música entre Alemanha e aniversários em 2015

A temporada da Casa da Música (CdM) para o próximo ano vai ter como eixo central da sua programação a música alemã, porque foi a Alemanha a escolhida para país-tema desta vez. Consequência direta é, ao nível da programação artística, a escolha de Helmut Lachenmann (Stuttgart, 1935), para ser o Compositor em Residência da CdM em 2015. Lachenmann é com Wolfgang Rihm e Karlheinz Stockhausen (falecido em 2007) um dos nomes centrais da música de vanguarda alemã do segundo pós-guerra. Em 2015, aliás, por completar 80 anos, irá ser objeto de especial atenção por parte de várias instituições internacionais. A abertura oficial do Ano Alemanha na Casa da Música acontece a 16 de janeiro. Será esse um dos seis concertos a incluir obras de Lachenmann ao longo do ano: outros dois em janeiro, dois em outubro e um em dezembro completam o retrato deste grande criador musical dos nossos dias.

Outro "reflexo alemão" é a missão atribuída ao pianista Pedro Burmester, Artista em Residência 2015: interpretar os cinco concertos de Beethoven com a Sinfónica do Porto Casa da Música (OSPCdM). A primeira etapa está marcada precisamente para o concerto de 16 de janeiro, em que ele irá tocar o 'Quarto Concerto'.

Para artista em associação, de novo um alemão: Andreas Staier, cravista e pianofortista que virá ao Porto por duas vezes (maio e novembro)

Finalmente, para Jovem Compositor em Residência foi escolhido Nuno da Rocha.

2015 é um ano significativo, depois, por nele celebrar a Casa da Música uma década de portas abertas. Ao longo do ano, serão várias as iniciativas que visam celebrar esse facto, destacando-se o dia Casa Aberta (9 abril) e o concerto da Sinfónica na Av. Aliados, a 5 de setembro. Outro aniversário é o do Remix Ensemble: o corpo residente mais internacional da CdM completa 15 anos. O concerto especial para os festejar acontece a 20 de outubro. Como que a sublinhar o seu caráter internacional, o Remix pontuará o seu 2015 com digressões por Monte Carlo, Toulouse, Estrasburgo e Hamburgo.

E 2015 é ainda o ano de tomada de posse do suíço Baldur Brönnimann como maestro titular da OSPCdM - sucedendo ao alemão Christoph König - ele que terá o austríaco Leopold Hager como Maestro Convidado Principal.

Na esfera dos agrupamentos convidados, referência especial merecem sem dúvida o Quarteto Arditti e o Klangforum Wien (na música moderna) e os Tallis Scholars e a Akademie für Alte Musik Berlin, na música antiga.

Também com vários nomes muito interessantes se apresenta a galeria de maestros convidados: Lothar Zagrosek, Olari Elts, Michael Sanderling, James Judd, Antoni Wit, Takuo Yuasa ou Joseph Swensen.

Em termos de repertório, destaquemos algumas obras de grande impacto, como as sinfonias 1, 5 e 6 de Mahler; a 'Sétima' de Sibelius, a 'Quinta' de Shostakovich, as 'n.º 1' e 'n.º 6 'Patética'', de Tchaikovsky, a 'Sinfonia 'Fausto'', de Liszt, a 'Quinta Sinfonia' de Joly Braga Santos, a 'Sagração da Primavera' de Stravinsky (versão para dois pianos), 'Ruf' de Emmanuel Nunes, as 'Seis Peças, op. 6' de Webern, 'Cantigas' de Lindberg, 'Hymnen' e 'Kontrapunkte' de Stockhausen ou 'Divertimento das Musas', de Charles Wuorinen; no âmbito coral, destaque para a 'Missa solemnis' de Beethoven, a 'Oratória de Natal' de Schütz, o 'Magnificat' (entre numerosas outras obras) de J.S. Bach.

Uma referência, dada a raridade com que são ouvidas, merecem ainda várias obras de compositores da chamada 'Música Degenerada', alvo de um concerto temático. Por fim, um grande acontecimento será a estreia mundial da ópera 'Giordano Bruno', do italiano Francesco Filidei (n. Pisa, 1973), a 12 de setembro.

Outro acontecimento será a projeção do clássico do cinema mudo alemão 'O Cavaleiro da Rosa', filme de 1925 de Robert Wiene, com a OSPCdM a tocar a banda sonora ao vivo.

Nos solistas, são de salientar nomes como os dos instrumentistas Midori, Heinz Holliger, Jörg Widmann (também compositor, dele se ouvirão várias obras ao longo do ano), ou o já referido Andreas Staier, e os de cantoras como Ana Quintans, Elisabete Matos, Magdalena Anna Hofmann, Linda Watson ou Ute Lemper. O ator Diogo Infante marcará ainda presença como narrador numa versão encenada das 'Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz', de Haydn.

Na nova música, serão estreadas obras dos referidos Widmann e Filidei, bem como de Wolfgang Mitterer, Pedro Amaral, Daniel Moreira e Nuno da Rocha.

Novos sim, mas intérpretes, são os artistas que se apresentarão no quadro do programa 'Rising Stars' da ECHO (European Concert Hall Organization), que também passará pela Gulbenkian.

Na área do piano solo/dois pianos, constata-se a presença de nomes consagrados como Arcadi Volodos, Grigori Sokolov, Christian Zacharias ou as irmãs Labèque, mas também de jovens certezas como Benjamin Grosvenor ou Ingolf Wunder.

No jazz, destacam-se nomes como os da Glenn Miller Orchestra e da Orquestra Jazz de Matosinhos ou de solistas do calibre de Al Di Meola ou Anthony Braxton. Mário Laginha também lá consta, mas ele irá tocar a 'Rhapsody in Blue', de Gershwin. A "sombra" da Alemanha alcançará até as esferas da pop eletrónica, com a vinda a Portugal dos famosos Tangerine Dream.

Novidades na programação são um pequeno ciclo de recitais de música de câmara no Salão Árabe do Palácio da Bolsa e um ciclo de recitais de órgão, que passa por igrejas da cidade do Porto.

O Serviço Educativo continua a ser um dos vetores onde mais se investe, com iniciativas tão variadas como Primeiros Concertos, Concertos para Todos, Primeiros Sons, Músico por um dia, Música em Família ou o já clássico A música toma conta de mim.

A programação completa pode ser consultada no site da Casa da Música.

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