Carta antissemita de Richard Wagner leiloada em Jerusalém

Documento foi vendido a um judeu suíço, cuja identidade não foi revelada, por 34 mil euros. Wagner, que viveu entre 1813 e 1883, era o compositor favorito de Hitler

Uma carta do compositor Richard Wagner dirigida a um intelectual francês, prevenindo-o para "a influência" judaica na cultura, foi esta terça-feira vendida em leilão, em Jerusalém, por cerca de 42 mil dólares (34 mil euros).

Wagner (1813-1883), cujas obras impregnadas de nacionalismo foram adotadas no século XX pelo III Reich, era o compositor favorito de Hitler.

Em Israel não há lei que proíba tocar Wagner, mas as formações musicais abstêm-se de o fazer.

Datada de 25 de abril de 1869, a carta ao filósofo, poeta e crítico Edouard Schuré, debruça-se sobre a receção do seu panfleto "Judaísmo na Música", publicada inicialmente em 1850, sob pseudónimo.

Colocado em leilão, o documento foi vendido a um judeu suíço, segundo os organizadores da venda, que não avançaram a sua identidade.

"O Francês conhece poucas coisas sobre os judeus", escreveu Wagner ao seu amigo, habitante na cidade suíça de Lucerna, afirmando que a assimilação judaica na sociedade francesa impede de ver "a influência corrosiva do espírito judeu na cultura moderna".

A herança musical e artística de Wagner está impregnada de antissemitismo, de misoginia e de ideias pré-nazis de pureza racial, apesar de o compositor ter morrido em 1883, bem antes da chegada do nazismo.

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