"Carmen" que não morre e mata o amante ciumento lança a polémica em Itália

Companhia mudou o final da "Carmen" de Bizet

O Teatro del Maggio, na cidade de Florença, levou à cena uma versão reformulada da famosa "Carmen", de Bizet, que está a provocar polémica em Itália. Se no original Carmen morre às mãos do amante ciumento, na versão adaptada a protagonista não morre e mata o agressor a tiro. Mas o que pretendia ser uma mensagem de alerta, num país onde a cada três dias morre uma mulher vítima de violência doméstica, transformou-se num escândalo.

Segundo o diário espanhol El País, a experiência deixou o encenador Leo Muscato debaixo de um coro de críticas nas redes sociais e de protestos de parte do público, sob a acusação de ceder ao politicamente correto. "E se fizéssemos um Moby Dick onde a baleia não morre e é anestesiada?", questionou-se o jornal italiano La Repubblica.

Ao mesmo diário o encenador defendeu que se "criou uma polémica exagerada, gratuita" em torno da alteração à história original da ópera de Georges Bizet, levada pela primeira vez à cena em 1875 - e com muitas críticas na estreia, devido precisamente à personagem de Carmen, uma mulher transgressora para a época.

"Preocupa-me que já não tenhamos liberdade cultural e intelectual para nos deixarmos surpreender. Não me podem mandar para a fogueira sem ver toda a ópera", afirmou Leo Muscato. Apesar da polémica, todas as sessões previstas do espetáculo estão esgotadas.

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