Cannes 2018: um festival virado à descoberta e à mensagem política

Cannes sem os habitués Xavier Dolan, Jacques Audiard, Woody Allen e Claire Denis, mas com os novos de Spike Lee, Godard (que nem de propósito é o cineasta do filme do cartaz oficial), Stéphane Brizé e David Robert Mitchell.

Foram esta manhã anunciados os filmes que fazem parte da competição oficial do Festival de Cinema de Cannes, que decorre entre 8 e 19 de maio, e surgem algumas surpresas, sobretudo na lista de ausências. Percebe-se que é uma lista que não faz concessões a Hollywood e ao red carpet (parece que o spin-off de Star Wars, Han Solo - Uma História de Star Wars, de Ron Howard é a única exceção).

No geral, Cannes 2018 deverá ser um festival dado à descoberta e à mensagem política - está selecionado o novo do cineasta iraniano Jafar Panahi, Three Faces, e o Festival já pediu ao governo iraniano que deixe o seu tesouro nacional viajar até França. Um cineasta amordaçado pelo seu país mas sempre venerado na Europa.

Outra das surpresas foi a confirmação de BlacKkKlansman, de Spike Lee, com estreia marcada para os Estados Unidos no próximo verão.

A ausência de obras produzidas pela Netflix confirma-se e também poderá ser um caminho para se perceber a ausência de obras made in Hollywood - a calendarização poderá ter feito com que os novos de Damien Chazelle, Harmony Korine ou David Lowery tenham ficado de fora.

Mas se a seleção da equipa de Thierry Frémaux esquece alguns americanos (e lá poderia ainda figurar fora de competição Ocean's 8, onde figurava a presidente do júri, Cate Blanchett), a prata da casa ganha uma importância acrescida, em parte pela escolha de cineastas que não estavam na lista de possíveis candidatos como por exemplo o já esquecido Christophe Honoré.

E nos próximos dias não é de excluir a hipótese de a Quinzena dos Realizadores ficar com os "rejeitados", entre os quais os filmes de Bruno Dumont ou Claire Denis.

Fora de competição, há títulos que chamam a atenção. Um deles é O Grande Circo Místico, de Cacá Diegues, coprodução entre o Brasil e Portugal, com Nuno Lopes e Vincent Cassel. Uma grande produção toda ela rodada em Portugal. Será a única marca portuguesa nesta seleção.

Também grandes expectativas para Papa Francisco: Um Homem de Palavra, de Wim Wenders, documentário sobre o Santo Padre.

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