"Cada concerto é uma espécie de trapézio sem rede"

Há um ano que Júlio Resende canta Amália ao piano. Hoje estará no Hot Club Portugal, em Lisboa, com Cuca Roseta e os músicos Romeu Tristão e Alexandre Frazão. Amanhã, também às 22.30, junta-se a Joel Silva, Ricardo Toscano e Romeu Tristão.

Levou o Amália a quatro salas do México em outubro, esgotando a do Festival Internacional Cervantino [em Guanajuato]. Como foi?

A maior parte das pessoas não conhece fado nem a Amália. Uma pessoa veio dizer-me com uma cara muito alegre que o fado era uma coisa triste. Eu disse que sim, que é cantar a tristeza até que ela se possa tornar até uma alegria, ainda que uma alegria pintada de outra cor. Ou pelo menos expulsar a tristeza

até que haja alguma leveza no meio disso tudo. As pessoas descobriram isso pela audição, até porque eu nem tenho palavras, tirando o dueto com a Amália [Medo, "dueto impossível" entre o piano e a voz de Amália Rodrigues na primeira utilização da voz da fadista desde a sua morte].

Quando lançou o álbum falava muito de um solo, de voltar ao solo para tocar a solo. Um ano depois, o que é que descobriu dele?

A primeira resposta foi que é muito difícil tocar a solo, pela solidão. É até doloroso, num certo sentido. É muito exigente, do ponto de vista físico também, tens de fazer tudo acontecer sozinho. Mas sem querer dramatizar. Um ano a tocar concertos a solo fez-me ver que exige tudo de ti. Ao contrário de um pianista clássico, que também tem uma exigência gigante, o meu material não está escrito. As canções são improvisadas, porque eu toco as melodias, mas sempre de maneira diferente, então sinto-me assim um bocadinho sem rede. Cada concerto é um trapézio sem rede e obviamente as pessoas esperam o melhor de ti, tu tentas dar o melhor e esperas que aconteça.

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